O governo federal anunciou nesta quarta‑feira (28) que vai reforçar os processos de investigação de casos de violência política ocorridos no último fim de semana. Foram contabilizados 45 episódios, entre eles 10 homicídios, atribuídos à intolerância por posição eleitoral.
"Não haverá impunidade nesses casos. Isso é inadmissível. Nós vivemos um processo democrático e, como em toda eleição, um ganhou e outro perdeu. Isso não pode ser pretexto para o cometimento de crimes, para agressões. Não pode ser pretexto para assassinatos", afirmou Guilherme Boulos.
Destaques:
- 45 episódios de violência política, incluindo 10 homicídios
- Guilherme Boulos anunciou medidas de apuração
- Inquéritos da PF iniciados imediatamente
Contagem das vítimas e perfis dos agressores
O levantamento oficial indica 47 vítimas: 10 fatais (três indígenas), 14 agressões físicas, cinco disparos, cinco casos de violência contra povos indígenas e seis abusos de autoridade. As vítimas eram apoiadores de Luiz Inácio Lula da Silva; os autores, apoiadores de Flávio Bolsonaro.
Estados com maior número de ocorrências
Os estados que lideram o número de casos são Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Santa Catarina. As autoridades federais abrirão inquéritos da Polícia Federal para crimes de violência política de gênero, crimes eleitorais e violação de direitos humanos.
Medidas de apuração e combate ao discurso de ódio
Além dos inquéritos, o governo encaminhará denúncias à Procuradoria Geral da República e acionará as corregedorias estaduais das Polícias Militares e Civis e dos Ministérios Públicos. O Ministério da Justiça também reforçará o cumprimento do Marco Civil da Internet, exigindo que plataformas retirem conteúdos que incitem violência ou discurso de ódio.
"Esses crimes estão no rol de crimes especialmente graves, que constam do decreto presidencial, em relação aos quais as plataformas têm o dever de cuidado, de retirar de circulação e evitar falha sistêmica nesse contexto. Essas falhas geram responsabilidade civil das plataformas", acrescentou Ademar Borges.
Casos de maior repercussão
- Iara Pimentel, vereadora de Montes Claros (MG), foi atingida no rosto por objeto durante ato político e ficou inconsciente.
- Eliseu Pedrozo dos Santos, 38 anos, morreu atropelado por motorista embriagado que avançou contra bloqueio policial em Paraná.
- Renata Kempf, pesquisadora, foi detida em Curitiba durante comemoração pró‑Lula, com denúncias de uso excessivo da força.
- Marcelo de Oliveira da Rocha, engenheiro de Santos, morreu após ser espancado; o caso está sendo tratado como latrocínio.
- Denúncia de suposto envenenamento da água dos Guarani Kaiowá em Mato Grosso do Sul, feita pela Apib e pela deputada Célia Xabriabá.
As autoridades afirmam que todas as denúncias serão apuradas com prioridade, sem tolerar impunidade.