
Um Honda NSX de 1991, que foi utilizado por Ayrton Senna, será leiloado neste sábado (31) em Londres, na Inglaterra, pela casa de leilões RM Sotheby's. O veículo pode ser arrematado por mais de R$ 5 milhões.
O NSX, com carroceria vermelha "Formula Red", teto preto e interior em couro preto, foi um dos três exemplares que a Honda disponibilizou para uso pessoal de Senna em sua residência em Portugal.
Histórico de uso por Senna
Senna utilizou o carro durante a temporada europeia de Fórmula 1 de 1991, ano em que conquistou seu terceiro campeonato mundial. Foi com esse NSX que ele se deslocou ao circuito de Estoril para o Grande Prêmio de Portugal, largando da terceira posição e terminando em segundo lugar.
O veículo também aparece no documentário "Ayrton Senna: Racing Is In My Blood" (1992), onde o piloto acelera o NSX e faz as rodas traseiras perderem aderência ao arrancar.
"O NSX se tornou o primeiro carro produzido em série no mundo com esse tipo de carroceria em alumínio.", afirmou a Honda.
Trajetória após a morte de Senna
Após a fatalidade de Senna em 1994, o NSX seguiu registrado em Lisboa pela empresa Laboa Etablissement (fevereiro de 1995) e teve sua origem confirmada por um fax da Honda, ratificado pela Honda Motor Europe.
Em setembro de 1997 o carro ficou sob os cuidados da concessionária Nipomotor. Em novembro de 2009 foi adquirido pela MSCAR Comércio de Automóveis SA, de Faro, Algarve. Em 2013 o veículo foi comprado por Robert McFagan, que o transportou para o Reino Unido, onde recebeu autorização para circular nas ruas em maio de 2016.


Em 2019 o NSX retornou a Imola, Itália, para as homenagens dos 25 anos da morte de Senna, sendo conduzido por Giancarlo Minardi, fundador da equipe Minardi.
Em 2024 o carro foi adquirido por um colecionador em Nagoya, Japão, e voltou ao Reino Unido para o leilão. O comprador receberá, além do NSX, o livro de garantia, os registros de propriedade em Portugal e a comunicação da Honda que confirma a ligação do exemplar com Senna.
Desenvolvimento do Honda NSX
A história do NSX começou em 1984, quando a Honda estudou uma configuração mecânica diferente, visando um motor central e tração traseira. O projeto evoluiu sob a liderança de Shigeru Uehara e recebeu influências do avião de combate F‑16.
A escolha de uma carroceria monobloco em alumínio reduziu o peso em cerca de 200 kg em relação a um modelo equivalente em aço, exigindo novos processos de moldagem e soldagem.
"Depois de experimentar o esportivo, o piloto brasileiro apontou uma deficiência na rigidez da estrutura, que considerou um pouco frágil.", afirmou Senna em entrevista ao receber o convite da Honda em fevereiro de 1989.
A Honda aumentou a resistência da carroceria, realizou testes no Nürburgring e, após oito meses, elevou a rigidez estrutural em 50 %. O primeiro protótipo foi apresentado no Salão do Automóvel de Chicago (fevereiro de 1989) como NS‑X da divisão Acura.
A produção limitada a 25 unidades por dia começou em Tochigi, Japão, em 1990, e o modelo chegou ao mercado japonês em setembro de 1990. A demanda foi tão alta que alguns compradores esperaram até três anos para receber o carro.
Com o leilão marcado para 31 de outubro, o NSX de Senna se destaca como um dos itens mais valiosos da história do automobilismo brasileiro.