Mais de oito milhões de eleitores com 70 anos ou mais compareceram às urnas no primeiro turno das Eleições 2026, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O número representa um aumento de quase dois milhões em relação a 2022 e fez a taxa de abstenção cair de 58,86% para 49,19%, redução de 9,67 pontos percentuais.

“Seu voto é tão importante que pode decidir o rumo dessa eleição. Vote.”, afirmou Cléa Klouri, idealizadora do Movimento Voto 70+.

Destaques:

  • Mais de 8 milhões de eleitores com 70+ foram às urnas
  • Redução da abstenção para 49,19%
  • Movimento Voto 70+ mobiliza eleitores idosos

Eleitores idosos e a motivação para votar

O g1 entrevistou idosos que apontam a defesa da democracia, a preocupação com o futuro dos filhos e netos e a expectativa de melhorias em saúde e educação como principais razões para votar, mesmo sem obrigatoriedade legal.

“Eu pude votar somente aos 38 anos porque tinha ditadura. E vocês imaginam o quanto é difícil você não poder fazer as suas escolhas”, explicou Nídia Motta, 75 anos.

Para Nídia, votar significa contribuir com o país, as políticas públicas e a justiça social.

Histórias de participação contínua

Cláudia de Pinho, 75, votou pela primeira vez em 1989, na primeira eleição direta pós‑ditadura, e só faltou a um turno eleitoral.

“Sempre votei, nunca faltei, menos no segundo turno de 2022, porque meu marido faleceu neste dia. Eu voto, eu adoro, eu acho um ato cívico maravilhoso”, contou.

O número de eleitores aptos com 70+ cresceu 15,8% entre 2022 e 2026, o que pode elevar o contingente de idosos aptos a votar no segundo turno, marcado para 25 de outubro, quando Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disputarão a presidência.

Mobilização do Movimento Voto 70+

Cléa Klouri descreve a criação de um ambiente digital para facilitar a regularização do título eleitoral e a localização de locais de votação acessíveis.

“Criamos um perfil nas redes, um site e fizemos um tutorial para ajudar as pessoas a regularizar o título, achar um lugar de votação próximo de casa, mais acessível. Isso para que elas pudessem ter a segurança de votar sem ter que passar por momentos de dificuldade”, relatou.

Segundo Cléa, barreiras como a distância até as seções e o desânimo com a política ainda contribuem para a abstenção. Ela destaca ainda a influência familiar, sobretudo entre mulheres, e lançou o movimento “Vovó Vota” para envolver netos e demais familiares.

“Às vezes as filhas diziam: ‘Ah, mas não precisa mais votar, não é mais obrigatório’. E a família pensava que estava contribuindo, mas não. Divulgamos que tem que ter o envolvimento da família como um todo para tornar esse dia especial, um dia em que a família se reúne, pode votar junto”, explicou.

Depoimentos que reforçam a importância do voto

Goretti Fernandes, 72, afirma que continua votando para garantir um futuro democrático para as próximas gerações.

“Continuo votando, apesar de não ser mais obrigatório, porque eu acho que votar é o momento mais importante para a nossa democracia. Eu voto para que todas as próximas gerações possam continuar usufruindo de um país livre, democrático e feliz”, afirmou.

Madalena Rodrigues, 74, destaca que a idade não diminui a relevância da participação política.

“Não importa que eu tenha 74 anos, eu continuo considerando muito importante que eu participe, que eu entregue para a sociedade, para o sistema eleitoral, a minha opinião sobre por que eu escolho um candidato ou outro, o que eu quero para o país”, completou.

Ramires Barreto, 83, vê o voto como exercício de cidadania e preservação da liberdade.

“Um país livre, democrático, organizado, com a imprensa livre, a expressão e a liberdade respeitadas pelos governantes. E isso só se vai adquirir escolhendo um bom candidato”, concluiu.