Integrantes da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foram informados nesta manhã de que o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, pode retirar do ar o canal “Exército do Lula” às 18h desta sexta‑feira (23).

O deputado André Janones (Rede‑MG), criador do canal, divulgou às 10h59 uma mensagem aos seguidores:

"Seguinte, pessoal: vamos ter um plano B! Vamos entrar também no canal do presidente (“Canal do Lula”) e, se esse aqui for derrubado, a gente faz de lá", afirmou Janones.

Pressão sobre a Meta e outras plataformas

Na quinta‑feira (22), Nunes Marques concedeu prazo de 24 horas para que a Meta, responsável pelo WhatsApp, apresente um relatório técnico sobre o funcionamento do canal, atendendo a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), que acusa o grupo de coordenar ações nas redes sociais.

A Meta deverá informar se identificou sincronização de atividades, replicação sistemática de conteúdos ou amplificação artificial de publicações. As empresas Google e X também foram acionadas para esclarecer a circulação de termos e hashtags entre 18 e 20 de outubro.

Histórico de suspensões

O canal já recebeu duas ordens de suspensão de Nunes Marques. A primeira, em 11 de outubro, atendeu a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro, que alegava disseminação de informações falsas; a decisão foi revertida horas depois pelo corregedor‑geral eleitoral Ricardo Villas Bôas Cueva.

Dois dias depois, o ministro voltou a determinar a suspensão, condicionando o funcionamento ao registro na Justiça Eleitoral. A campanha de Lula forneceu o endereço ao TSE, permitindo o restabelecimento do espaço.

Defesa de Lula e medidas judiciais

Na mesma quinta‑feira, a defesa de Lula solicitou ao tribunal a retirada do “Exército do Lula” do registro oficial da campanha, argumentando que o canal é administrado por Janones de forma independente, sem financiamento ou orientação da candidatura.

Janones, por sua vez, apresentou um mandado de segurança ao TSE para anular as decisões de Nunes Marques e garantir o funcionamento do canal, evitando novos bloqueios administrativos.

Impacto na reta final da campanha

A disputa ocorre a dois dias do segundo turno, quando a campanha intensifica a mobilização dos eleitores. A possibilidade de nova suspensão preocupa os organizadores, que temem perder um canal de comunicação nos momentos decisivos.

Até o momento, não há confirmação de que o canal será retirado do ar nesta sexta‑feira.