O rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, completa 11 anos nesta quinta‑feira (5). Moradores e comunidades atingidas realizam jornadas de mobilização em Mariana, Governador Valadares e Belo Horizonte para exigir reparação integral dos danos socioambientais e a participação popular nos novos acordos de indenização.

A tragédia, causada pela barragem da Samarco, destruiu a comunidade de Bento Rodrigues e matou 19 pessoas. Aproximadamente 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos foram despejados, atingindo o Rio Doce até o oceano. As medidas de reparação continuam em andamento.

Acordo do Rio Doce e repasses financeiros

Homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em novembro de 2024, o novo acordo do Rio Doce prevê R$ 170 bilhões para ações de reparação e compensação. Destes, R$ 100 bilhões são destinados a políticas públicas por meio de repasses aos governos federal, estaduais e municipais.

Segundo a Samarco, desde 2015 foram aplicados R$ 82,6 bilhões em ações de reparação, e mais de 648 mil pessoas foram indenizadas.

Mobilizações em Mariana, Governador Valadares e Belo Horizonte

Nesta semana, atos de mobilização incluem reuniões políticas, cerimônias em memória das vítimas e uma caminhada em Belo Horizonte. Os eventos visam pressionar autoridades para acelerar a implementação das medidas previstas no acordo e garantir a participação das comunidades afetadas.

Restauração da Capela de Nossa Senhora das Mercês

Em Bento Rodrigues, a Capela de Nossa Senhora das Mercês, símbolo de fé e resistência, está em fase final de restauração. Construída no fim do século XVIII, a obra recebe recursos dos acordos de reparação e é gerida pela arquidiocese local. A previsão de entrega é abril de 2027.

Mesmo durante as obras, o entorno da igreja continua sendo usado pelos antigos moradores para celebrações religiosas e sepultamentos, mantendo os vínculos da comunidade com o território.

Decisão judicial contra a Samarco e executivos

Em setembro de 2024, a Justiça Federal reverteu a absolvição da Samarco, condenando a empresa e três ex‑gerentes por crimes relacionados ao desastre. O relator juiz federal Michael Procópio atendeu parcialmente aos recursos do Ministério Público Federal e de familiares de vítimas.

  • Daviély Rodrigues Silva e Germano Silva Lopes, gerentes da Samarco na época, foram condenados a oito anos e nove meses de reclusão, regime inicialmente fechado.
  • Wagner Milagres Alves, gerente geral de operação de minas, recebeu pena de sete anos, três meses e 15 dias de reclusão, inicialmente em regime semiaberto.

A decisão ainda cabe recurso.