Em 2026, a Meta foi a empresa que mais recebeu recursos das campanhas eleitorais brasileiras, totalizando R$ 288,7 milhões em pagamentos diretos pelos candidatos, segundo levantamento do g1 baseado em dados abertos do TSE.

Os valores foram extraídos das prestações de contas disponíveis no Portal de Dados Abertos do TSE e na plataforma DivulgaCand, consultados em 18 de outubro de 2026. O levantamento considerou apenas pagamentos ao CNPJ 13.347.016/0001-17, pertencente à Facebook Serviços Online do Brasil Ltda.

Recorde histórico e evolução

O montante de R$ 288,7 milhões representa mais do que o dobro dos R$ 129 milhões declarados em 2022 e supera em 1.171% o gasto de R$ 22,7 milhões registrado em 2018. Desde então, a participação da Meta nos gastos eleitorais cresceu de 0,7% para 6% do total declarado até o momento.

Impulsionamento de conteúdo ganha relevância

O impulsionamento de postagens, que consiste no pagamento para ampliar o alcance de publicações nas plataformas da Meta, subiu de 2,5% do gasto total em 2018 para 8,9% nos dados parciais de 2026. A legislação eleitoral permite que apenas candidatos, partidos e coligações contratem esse serviço para propaganda eleitoral, proibindo pagamentos a influenciadores ou a monetização de manifestações espontâneas.

Partidos e candidatos líderes nos gastos

Entre os partidos, o PL lidera com R$ 63,7 milhões, quase quatro vezes o valor da eleição anterior. Seguem o PT com R$ 37,9 milhões, o PSD com R$ 30,3 milhões e a União Brasil com R$ 23,3 milhões.

Nas candidaturas individuais, Flávio Bolsonaro (PL) declara R$ 7,45 milhões, quase o triplo dos R$ 2,59 milhões de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em 2026, já são 24 candidatos que ultrapassaram a marca de R$ 1 milhão em gastos com a Meta, totalizando R$ 41 milhões.

Contexto jurídico e decisões recentes

Na segunda‑feira (19), o ministro Marco Aurélio Bellizze, do TSE, concedeu 24 horas para que a Meta comprove o cumprimento da decisão da Corte sobre isonomia na distribuição de conteúdos políticos. Tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro acionaram a Justiça Eleitoral alegando prejuízo de seus conteúdos nas plataformas.

Ainda na mesma data, o corregedor‑geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, proibiu o deputado Nikolas Ferreira (PL‑MG) e o influenciador Pablo Marçal de republicar conteúdos vetados pelo TSE, estabelecendo multa de R$ 50 mil por publicação e determinando a suspensão do impulsionamento pago nas contas dos dois até o fim do segundo turno.

Os números ainda são parciais; o valor final pode subir com a entrega das contas finais pelos candidatos.