Convidado no episódio do podcast O Assunto, Roberto Uchôa – pesquisador da Universidade de Coimbra e associado sênior do Fórum Brasileiro de Segurança Pública – abordou a situação do controle e rastreamento de armas e munições no Brasil. O programa, apresentado por Natuza Nery e produzido por Luiz Felipe Silva, Carlos Catelan, Luiz Gabriel Franco, Juliene Moretti, Stéphanie Nascimento, Marco Antônio Martins e Thomé Granemann, destacou dados de pesquisas recentes que apontam para falhas graves nos sistemas de informação e investigação.
Destaques:
- 71% dos pedidos de informação sobre armas de fogo são ignorados ou negados por polícias estaduais
- Exército vende munições que aparecem em apreensões ligadas ao Comando Vermelho
- "Sem limpar o Estado, não há combate ao crime", afirmou Uchôa
Falhas nos pedidos de informação
Estudos apontam que 71% dos pedidos de informações sobre armas de fogo feitos a polícias estaduais são ignorados ou negados. Essa falta de transparência dificulta a investigação de crimes e a rastreabilidade de armas usadas em homicídios.
Munições do Exército em circulação criminosa
Uma pesquisa inédita revelou que munições adquiridas pelo Exército foram encontradas em apreensões vinculadas ao Comando Vermelho. O achado levanta questões sobre o controle interno de estoque e a necessidade de mecanismos mais rígidos de rastreamento.
"Sem limpar o Estado, não há combate ao crime", afirmou Roberto Uchôa.
Impacto nos homicídios
Segundo o Atlas da Violência, sete em cada dez homicídios em 2024 foram cometidos com arma de fogo. O estudo também indica que 77% das vítimas são pessoas negras, reforçando a urgência de políticas eficazes de controle de armas.
Ferramentas de investigação
O chamado "Banco de DNA" das balas já auxilia a polícia em 9 mil investigações, permitindo a associação de projéteis a armas específicas. O recurso demonstra o potencial de tecnologias forenses, embora ainda dependa de um sistema de informação mais integrado.
O podcast O Assunto, que acumula mais de 168 milhões de downloads desde sua estreia em agosto de 2019, continua a divulgar análises aprofundadas sobre segurança pública, saúde e economia, temas que lideram as preocupações dos eleitores segundo a pesquisa Datafolha.