Moradores do Complexo da Maré, na zona norte do Rio, enfrentam dificuldades para votar após a mudança de 16.907 eleitores para novos locais de votação no primeiro turno, em 4 de outubro. A decisão, tomada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE‑RJ), visa retirar seções de áreas de alto risco, mas provocou protestos e aumento da abstenção.

Mudança de locais e reação dos eleitores

O fotógrafo Marlon Soares, morador da Maré, contou que pensou em desistir de votar diante das dificuldades. "Pensei em todo momento em desistir", disse à Agência Brasil. Ele relatou ter que percorrer outro bairro e ficar mais de duas horas na fila.

"Me jogaram para outro bairro. Tive que pegar condução para chegar e fiquei mais de duas horas na fila para conseguir votar", contou.

Decisão do TRE‑RJ e justificativa

A alteração abrange seis cargos, incluindo a presidência, e foi motivada pela necessidade de afastar as seções de áreas controladas por tráfico e milícias. O TRE‑RJ informou que os novos locais ficam "o mais próximo possível de cada local de votação substituído" e fora de territórios dominados por facções rivais.

Impacto na participação eleitoral

A mudança afetou 72 locais em 20 cidades do estado, impactando cerca de 202 mil eleitores. Na Maré, a abstenção nas 41 seções transferidas chegou a 31,07%, acima da média nacional de 21,08%. O estudo "Como vota a Maré" da ONG Redes da Maré aponta que, embora não haja causalidade direta comprovada, as barreiras de acesso aumentam a preocupação.

  • 7.268 eleitores passaram da Escola Municipal Professor Josué de Castro para o Centro Educacional Gama E Souza
  • 4.907 eleitores mudaram da Escola Municipal Teotônio Vilela para o Bonsucesso Futebol Clube
  • 4.732 eleitores foram da Escola Municipal Professor Paulo Freire para a Igreja Nossa Senhora de Bonsucesso de Inhaúma

Mobilização da sociedade civil

A ONG Redes da Maré realizou a campanha "Esquinas por Direitos" de 20 a 23 de outubro, orientando moradores sobre o direito ao voto e divulgando informações nas redes sociais. A campanha enfatiza que quem não votou no primeiro turno ainda pode votar no segundo, em 25 de outubro, e que o transporte público será gratuito, conforme a Resolução 23.759/2026 do TSE.

A analista Lia Manso, da Redes da Maré, reforçou a importância da participação: "A luta por ele não está terminada", afirmou à Agência Brasil, destacando que o voto impacta coletivamente o território da Maré.