Abertura
Na comunidade de Ludovico, no município de Lago do Junco (MA), a quebradeira de coco Maria Alaídes Alves de Souza, 71, percorreu 600 m para votar no primeiro turno das eleições de 4 de outubro de 2026. Seu objetivo vai além do voto pessoal: ela incentiva outras avós a exercer o direito eleitoral.
“A gente busca motivar explicando que é muito importante a pessoa registrar o seu voto. Ninguém pode desanimar”, contou Maria, que tem sete filhos e sete netos.
Destaques:
- 49,1% de eleitores acima de 70 anos compareceram às urnas no primeiro turno de 2026, queda da abstenção de 58,8% em 2022.
- Movimento Vovó Vota promove campanha apartidária para aproximar netas e avós nas eleições.
- 25 de outubro será o segundo turno, com nova chamada para a participação dos idosos.
Mobilização nas comunidades rurais
Maria Alaídes lidera um movimento interestadual de quebradeiras de coco que abrange Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins, onde se estima mais de 300 mil trabalhadoras. Ela atua em cinco comunidades vizinhas – São José, Mata dos Reis, Marajá Alto Alegre, Estirão e Pau Seco – para garantir que outras idosas não deixem de votar.
Redução da abstenção entre eleitores seniores
Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que a taxa de não comparecimento de eleitores com mais de 70 anos caiu de 58,8% em 2022 para 49,1% em 2026. O movimento Vovó Vota atribui a queda à campanha de conscientização e ao apoio logístico de familiares.
“O voto para mim é orgulho. Voto pela manutenção de direitos e pela democracia”, afirmou Maria Alaídes.
Histórias de superação nas urnas
Em Orizona (GO), Maria Albino Costa, 85, não votou no primeiro turno por dificuldade com a lista de candidatos. No segundo turno, ela será levada por filha e neta para garantir os direitos da família.
“Mas dessa vez, é só para o cargo de presidente. Então, eu vou desta vez. Minha filha e minha neta vão me levar. Preciso garantir nossos direitos. Eu faço questão agora.”
Em Olinda (PE), Maria José Cantarelli, 80, decidiu voltar a votar após 12 anos de ausência, apesar de temer a violência nas ruas.
“Há ofensas e agressões que fazem com que a gente tenha medo. Existe muita violência nas ruas e os ânimos estão muito acirrados”, lembrou.
Acessibilidade nas seções de votação
O TSE determinou atendimento prioritário e medidas de acessibilidade para eleitores idosos, como a Beatriz Cintra Labaki, 79, de São Paulo, que contou com ajuda do filho para subir escadas e chegar à urna.
"Não adianta ser eleito e ficar sentado lá. Tem de ser atuante e gostar de trabalhar com a população".

Expectativas para o segundo turno
No Rio de Janeiro, Prazeres Maria da Silva Antunes, 72, espera menos filas e maior agilidade nas chamadas de idosos. Em São Paulo, Beatriz Cintra Labaki avaliou candidatos com foco em saúde e educação.
A aposentada carioca Suely Mendonça, 79, descreve o ato de votar como um reencontro com a cidadania, lembrando sua participação nas Diretas Já.
“É o momento em que estou me sentindo mais participante da vida do país. Sempre estudei na rede pública, do ensino básico ao ensino superior. Teve o golpe militar e eu estava estudando”.
O movimento Vovó Vota continuará a incentivar a presença nas urnas em 25 de outubro, reforçando que a participação no segundo turno é livre e essencial para a democracia.