O vazamento de dados do Smart Sampa, sistema de monitoramento por câmeras e reconhecimento facial da Prefeitura de São Paulo, foi revelado pelo UOL nesta terça‑feira (20). A reportagem apontou que 181 logins e senhas ficaram disponíveis na internet por 11 meses, expondo imagens capturadas por 58 mil câmeras.
"A empresa diz que sua inteligência artificial busca pessoas a partir de características físicas mesmo quando elas não têm seus rostos cadastrados em listas de procurados e desaparecidos", afirmou a Sentinelx.
Destaques:
- 181 credenciais expostas por 11 meses
- Prefeitura culpa agente da Guarda Civil Metropolitana
- Investigação em curso e reforço de segurança
Como funciona o Smart Sampa
O programa combina imagens das câmeras com inteligência artificial para analisar características faciais e identificar pessoas presentes em listas de foragidos ou desaparecidos. A Sentinelx, integrante do consórcio que opera o sistema, fornece a plataforma que gera alertas para operadores humanos, que decidem o despacho de viaturas.

Vazamento e responsabilidade
A Prefeitura afirmou que o vazamento foi causado por um agente da Guarda Civil Metropolitana (GCM), que armazenava senhas e foi afastado. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) disse que o caso já estava sob investigação.
"A gente não tem nenhuma ocorrência de utilização indevida do sistema. O que a gente tem é o monitoramento contínuo de segurança que, inclusive, possibilita que a prefeitura de São Paulo monitore eventuais acessos irregulares, que não aconteceram", afirmou.
A administração municipal retirou o repositório de dados do ar e implementou senhas exclusivas e autenticação em dois fatores.
Reações de especialistas
Pablo Nunes, coordenador do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), alertou que a exposição coloca em risco milhões de cidadãos cujas imagens são capturadas pelas câmeras.
"Pode abrir precedentes de uso dessas informações para controlar e vigiar pessoas", disse.
Fernanda Rodrigues, diretora do Instituto de Referência em Internet e Sociedade (IRIS), destacou a falta de cultura de proteção de dados no Brasil.
"Nesse caso, temos o oposto porque não sabemos quem acessou as câmeras. E, inclusive, podemos cogitar que o material tenha sido acessado por pessoas mal‑intencionadas que agora possuem registros muito atualizados da rotina de milhões de pessoas", afirmou.

O advogado Luiz Augusto D'Urso, especialista em direito digital, classificou o caso como violação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e responsabilizou a prefeitura.
"A responsabilidade é exclusivamente da prefeitura, pois o sistema e os mecanismos de segurança são de sua competência", declarou.
Ele acrescentou que o servidor que permitiu o acesso pode responder por violação do sigilo funcional.
Próximos passos
A Corregedoria da GCM continua investigando o agente afastado, enquanto a Prefeitura de São Paulo reforça medidas de segurança e monitora possíveis acessos irregulares ao sistema.