O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, terá até 60 dias para avaliar os impactos econômicos da suspensão de sanções e tarifas relacionadas à Rússia, informou o secretário de Estado Marco Rubio neste sábado (17).

"Acho que o presidente quer usar esse período de 60 dias para analisar o que a aplicação de sanções e tarifas significaria para a economia global e até mesmo para a economia dos EUA", disse Rubio a jornalistas antes de embarcar para o Uzbequistão.

Destaques:

  • prazo de 60 dias para reavaliar sanções
  • decisão anunciada por Marco Rubio
  • próximo passo: avaliação econômica antes de nova ordem executiva

A suspensão das medidas foi anunciada na sexta-feira, quando Trump assinou ordem executiva que interrompeu a aplicação da Lei Graham, sancionada no mês passado após pressão de parlamentares que defendiam sanções contra Moscou devido à guerra na Ucrânia.

As sanções incluíam tarifas sobre produtos russos e penalidades a países que compram petróleo e gás da Rússia, previstas para entrar em vigor na semana seguinte. A ordem executiva não definiu a duração da suspensão.

"Muitos de vocês ainda não sabem qual é a minha decisão, mas vamos resolver isso, e vocês ficarão sabendo", afirmou Trump a jornalistas no clube Mar-a-Lago, em Palm Beach, Flórida.

A medida recebeu críticas do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, que alertou que a suspensão poderia fortalecer o presidente russo, Vladimir Putin, e prolongar o conflito.

Acordo de diesel entre EUA e Rússia

Rubio também defendeu um acordo separado para aumentar a oferta de diesel nos mercados globais, visando aliviar os preços dos combustíveis em meio à guerra no Irã e interrupções no fornecimento de energia.

"Esse diesel será vendido de uma forma ou de outra", disse Rubio. "A única diferença é quanto dele os EUA conseguiriam obter."

Segundo Trump, a Rússia forneceria inicialmente mais de 300 mil toneladas métricas de diesel aos EUA, com remessas previstas para novembro e meses subsequentes.

Reações e contexto energético

O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, qualificou o acordo como "um incentivo para tentar acabar com a guerra, não uma tábua de salvação econômica" para a Rússia.

"Mas a única maneira de eles conseguirem exportar diesel adicional é reduzindo o conflito com a Ucrânia", afirmou Wright em entrevista ao programa This Week da ABC.

"Se a Rússia conseguir colocar diesel adicional no mercado e exportá-lo, isso beneficiará os consumidores americanos", completou Wright, acrescentando que o movimento poderia representar um passo adiante para a paz.

Rubio ressaltou que tanto o acordo de diesel quanto a suspensão das sanções refletem a complexidade de administrar conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia, que têm causado interrupções no fornecimento global de energia.

"Esses conflitos ao redor do mundo estão começando a se chocar uns com os outros", concluiu o secretário.