Trump enfrenta mesmo problema econômico que derrubou Biden

Donald Trump confronta, em 2024, a mesma divergência entre indicadores econômicos favoráveis e a opinião pública negativa que prejudicou a campanha de Joe Biden. Apesar de crescimento estável, desemprego baixo e mercado de ações próximo de máximas históricas, a inflação ainda pesa no bolso dos eleitores.

Promessa de alívio inflacionário

Durante a campanha, Trump afirmou:

"Quando eu vencer, vou baixar os preços imediatamente", disse.

Cumprir a promessa tem se mostrado mais complexo que o esperado, já que os preços da energia aumentaram devido ao conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, e as políticas comerciais do próprio presidente também impactam os custos.

Indicadores versus percepção popular

O crescimento econômico de 2,2% e a taxa de desemprego de 4,2% são considerados sólidos, mas os eleitores avaliam a economia pelo preço da gasolina e das compras no supermercado. O salário médio por hora subiu 3% no último ano, enquanto os preços ao consumidor avançaram 3,7%, ampliando a sensação de crise.

"Quando os economistas dizem que a inflação está caindo, querem dizer que o ritmo de aumento dos preços diminuiu", afirma Celinda Lake, pesquisadora do Partido Democrata.

"Quando os eleitores dizem que a inflação caiu, querem dizer que os preços voltaram ao patamar anterior. Bem, é claro que isso nunca acontece", explica.

Comentários de aliados e críticos

O porta‑voz da Casa Branca, Matthew Middleton, declarou que a "agenda econômica favorável ao crescimento" mitigou "a crise inflacionária de Biden". Já o aliado de Trump, Larry Kudlow, descreveu a expansão atual como "a melhor história já contada" e garantiu que "ninguém será demitido".

Por outro lado, o economista Peter Morici, da Universidade de Maryland, atribui a alta dos preços às tarifas comerciais de Trump e ao conflito no Oriente Médio, afirmando que "A inflação é claramente atribuível a Donald Trump".

Medidas propostas e desafios futuros

Trump sugeriu estabelecer um limite para as taxas de juros dos cartões de crédito e cogitou um pagamento de US$ 5 mil a adultos americanos caso os republicanos mantenham o controle do Congresso. Essas propostas refletem a tentativa de alinhar a percepção dos eleitores com os resultados macroeconômicos.

A questão que se coloca às vésperas das eleições de meio de mandato é se Trump conseguirá reduzir a distância entre os números positivos e a confiança popular, como não conseguiu Biden.