Abertura

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta segunda‑feira (26) que o segundo turno da eleição brasileira “pareceu mais uma eleição fraudada”, sem apresentar evidência de irregularidade. Na sequência, o líder republicano disse que gosta de Lula.

Destaques:

  • Trump qualificou o segundo turno de “eleição fraudada”
  • O presidente americano afirmou “gostar de Lula”
  • Declaração feita em 26 de outubro de 2026

Histórico de tensão e trégua

A relação entre Lula e Trump tem oscilações marcadas por confrontos comerciais e encontros diplomáticos. Após a reaproximação em 2025, com retirada de tarifas e suspensão de sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, o clima deteriorou‑se novamente em 2026, quando os EUA reimpuseram tarifas e criticaram a política de combate ao crime organizado no Brasil.

Encontros e declarações

Em 23 de setembro de 2025, os presidentes se encontraram inesperadamente na Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Trump descreveu a interação como de “ótima química”.

“Ele parece um cara muito legal, ele gosta de mim e eu gostei dele. E eu só faço negócio com gente de quem eu gosto”, afirmou Trump.

Em 6 de outubro de 2025, Lula telefonou a Trump para solicitar revisão do “tarifaço” e das sanções. O diálogo culminou em reunião oficial em 26 de outubro, em Kuala Lumpur, onde discutiram a manutenção das sobretaxas.

Na Casa Branca, Lula e Donald Trump discutem terras raras, crime organizado e comércio
Na Casa Branca, Lula e Donald Trump discutem terras raras, crime organizado e comércio — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Tarifas e respostas legislativas

Em julho de 2025, Trump anunciou tarifa adicional de 40% sobre produtos brasileiros, somada a uma sobretaxa de 10% já existente. O governo brasileiro respondeu que não aceitaria “ser tutelado por ninguém” e citou a Lei da Reciprocidade Econômica.

Dois dias após a reunião de Kuala Lumpur, o Senado dos EUA aprovou resolução para derrubar o tarifaço (52 a 48). A proposta não avançou na Câmara, permanecendo bloqueada.

Em 20 de novembro, a tarifa de 40% foi revogada, mas outras tarifas sobre café, carne bovina, frutas, cacau e especiarias permaneceram.

"A derrubada da taxa de 40% imposta pelo governo norte‑americano a vários produtos agrícolas brasileiros é uma vitória do diálogo, da diplomacia e do bom senso", disse Lula.

Novas tarifas e críticas

Em 15 de julho de 2026, os EUA anunciaram nova sobretaxa de 25% sobre mercadorias brasileiras, seguida, no dia seguinte, por tarifa de 12,5% relacionada a investigação de trabalho forçado. Lula respondeu em evento oficial: "há males que vêm para o bem" e ressaltou que o Brasil pode buscar novos parceiros comerciais.

Questões diplomáticas e segurança

Em 4 de agosto de 2026, Washington revogou o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, alegando demora na aprovação de candidato americano para a embaixada no Brasil. Em 17 de setembro, Trump enviou relatório ao Congresso acusando o Brasil de falhar no combate ao PCC e ao Comando Vermelho, classificando as facções como potenciais organizações terroristas. Lula rejeitou a classificação dois dias depois.

“Nós precisamos ganhar do crime organizado. E eu não aceito a ideia de que as facções bandidas são terroristas, como diz o Trump”, afirmou o presidente brasileiro.