A bolsa brasileira registrou turbulência intensa na manhã de 26/10, com o Ibovespa despencando mais de 10% nos primeiros minutos e acionando o circuit breaker. No fechamento, o índice recuou 13,88%, situando‑se em 176.608 pontos.
Quedas acentuadas em ações de consumo e varejo
Entre as maiores perdas, Magazine Luiza liderou com queda de 58,23%, seguida por Vamos (‑56,79%) e Hapvida (‑54,93%). Empresas de consumo, varejo e imobiliário também registraram quedas expressivas.
"O pregão desta segunda‑feira foi marcado por extrema volatilidade e forte aversão ao risco no mercado financeiro brasileiro, refletindo a reprecificação dos ativos após a definição do cenário político", afirmou Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad.
Desempenho dos blue chips
Os papéis considerados blue chips apresentaram resultados divergentes. No setor bancário, Banco do Brasil recuou 27,31%, Bradesco (preferencial) ‑21,70% e (ordinária) ‑20,65%, BTG Pactual ‑24,83% e Itaú Unibanco ‑13,66%. Já a Petrobras fechou em baixa de 8,18% (preferencial) e 6,81% (ordinária).
Ações em alta e influência do dólar
Em alta, Suzano subiu 10,08%, Embraer 8,89%, WEG 5,10% e Klabin 3,24%. A Vale encerrou com alta de 4,01%. O movimento foi impulsionado pela valorização do dólar, que terminou o dia em R$ 5,4027, alta de 8,21% em relação à sexta‑feira (R$ 4,99).
"Com a alta substancial do dólar e a perspectiva de que ele continue subindo, essas companhias conseguem diluir o custo fixo e melhorar suas margens", afirmou João Daronco, analista da Suno Research.
Perspectivas e recomendações
Daronco alertou que a alta dos juros futuros pode penalizar empresas mais endividadas, já que o financiamento torna‑se mais caro. Ele prevê continuidade da volatilidade nas próximas semanas enquanto o mercado avalia os desdobramentos eleitorais.
"Em dias como este, muitas vezes, o melhor é não se mexer", disse o analista.