Abertura
A Secretaria de Prêmios e Apostas informou que o advogado Willer Tomaz de Souza realizou o maior volume de apostas no Brasil em 2025, totalizando R$ 5 bilhões. A Polícia Federal investiga se as operações foram usadas para lavagem de dinheiro, após identificar movimentações suspeitas na casa de apostas Blaze.
Volume de apostas e depósitos
A nota técnica indica que Tomaz depositou mais de R$ 258 mi e sacou R$ 200 mi na Blaze ao longo de 2025. Em 2026, os aportes totalizaram R$ 325 mi, segundo a defesa do advogado.
"Essa pessoa foi a que teve o maior volume total de depósitos em plataformas de quota fixa no Brasil em 2025, sendo que o valor por ela depositado constituiu quase o dobro do valor depositado pela pessoa que figurou como segunda colocada nesse ranqueamento", afirmou a Secretaria.
Operações suspeitas em outubro de 2025
No dia 30 de outubro de 2025, Tomaz realizou 14 depósitos de R$ 500 mil, totalizando R$ 7 mi. No dia seguinte, efetuou 12 saques de R$ 500 mil em 18 minutos, somando R$ 6 mi. A Secretaria descreve o padrão como possível fracionamento ou dissimulação de operação.
Falhas nos controles da Blaze
A análise da Secretaria aponta que a Blaze classificou a conta de Tomaz como risco médio, embora os critérios internos prevejam risco máximo para padrões atípicos. O texto da Secretaria destaca:
"Essa constatação se torna ainda mais flagrante ao identificar-se que o cliente em questão também poderia se enquadrar na categoria de risco máximo utilizada pela empresa ('crítico'), em razão de nela constar o elemento da 'potencial violação sistêmica da legislação aplicável'..."
A Secretaria ainda sugere indícios de culpa ou dolo da Blaze por não ter identificado os riscos, citando:
"Sendo praticamente impossível que uma empresa não identifique que um de seus clientes, por exemplo, operou e pode ainda estar operando movimentações na ordem dos bilhões de reais, parece haver indícios de culpa ou dolo", afirmou.
Investigações em curso
Willer Tomaz é alvo de investigação da PF na Operação Sem Desconto, que apura descontos indevidos em aposentadorias do INSS e um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao senador Weverton Rocha (PDT). O advogado já foi preso em 2017 por suspeita de interferir na Operação Greenfield.
Ele também responde a inquérito no Supremo Tribunal Federal, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, que investiga suposta lavagem de dinheiro envolvendo empresas de Tomaz, o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o uso de casas de apostas.
A PF gaúcha quebrou o sigilo telemático de Tomaz e encontrou e‑mails que apontam Flávio Bolsonaro como "usuário master" de conta bancária da Alcazar Holdings, empresa de Tomaz. O caso foi elevado ao STF em 8 de outubro, após análise da Procuradoria‑Geral da República.