Levantamento do g1 identificou que dez políticos eleitos em 2026 tiveram contas julgadas irregulares pelo Tribunal de Contas da União (TCU). As condenações somam quase R$ 5,7 milhões, entre devoluções aos cofres e multas, e podem influenciar a análise de registro de candidaturas pela Justiça Eleitoral.
A pesquisa considerou apenas decisões que responsabilizaram pessoalmente os gestores, excluindo casos em que a obrigação recaiu sobre prefeituras. O cálculo não inclui juros ou correção monetária; algumas quantias já foram quitadas ou estão sendo pagas em parcelas.
Tipos de irregularidades
As irregularidades variam entre falta de prestação de contas, obras inacabadas, contratação de artistas sem comprovação e suspeitas em cursos profissionalizantes. Foram identificados 15 processos envolvendo recursos federais repassados por convênios, além de programas nacionais de educação, saúde e assistência social.
Principais casos por estado
No Pará, Elias Santiago (PT-PA), deputado estadual, teve contas julgadas irregulares por falhas no Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) quando foi prefeito de Concórdia em 2011. O TCU determinou devolução de R$ 14.233,14 e multa de R$ 10 mil.
Ainda no Pará, Rui Begot (Pode-PA), deputado estadual, foi responsabilizado por irregularidades no Programa Expansão da Saúde da Família (Proesf) em Ananindeua (2003‑2004). Foi condenado a devolver R$ 13.982,60 sem multa; o débito foi pago integralmente em 2025, mas seu nome permanecerá na lista até maio de 2029.
Em Piauí, Janaína Marques (PT-PI), deputada estadual, teve condenação por falhas nos programas PNATE e PDDE durante sua gestão como prefeita de Luzilândia (2006). O TCU fixou ressarcimento de R$ 135.543,27 e multa de R$ 25 mil, já abatidos em parte por devolução anterior.

No Mato Grosso, Cidinho Santos (PP-MT), primeiro suplente de senador, foi condenado por irregularidades no convênio de cultura e turismo, devendo R$ 146 mil e multa de R$ 25 mil. Sua defesa afirma que os valores foram devolvidos e o caso encerrado em 2021.
Impacto nas finanças públicas
Do total, aproximadamente R$ 4 milhões correspondem a devoluções ao Tesouro, enquanto multas somam cerca de R$ 1,6 milhão. Quando a condenação é definitiva e o pagamento não ocorre, o TCU pode encaminhar o caso à Advocacia‑Geral da União (AGU), que em 2026 recebeu 1.784 títulos para cobrança, arrecadando R$ 57,7 milhões em débitos e multas.
Consequências eleitorais
A lista do TCU de gestores com contas irregulares é usada pela Justiça Eleitoral para avaliar pedidos de registro de candidatura, mas a presença na lista não impede automaticamente a candidatura. Cada caso será analisado individualmente para possível inelegibilidade.