A prestação de contas parcial registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que Erasmo Carlos Battistella doou R$ 500 mil à campanha de Luiz Inácio Lula e a mesma quantia a Flávio Bolsonaro. O maior doador de Bolsonaro foi Eloi Vitório Marchett, que contribuiu com R$ 2 milhões.

Doadores individuais e limites legais

A legislação eleitoral proíbe doações de pessoas jurídicas; apenas contribuições de pessoas físicas são permitidas, dentro dos limites estabelecidos. O levantamento, ainda parcial, indica que o agronegócio responde por 25 % do PIB brasileiro e tem forte presença nas doações.

Perfil dos maiores doadores

Erasmo Carlos Battistella, CEO da produtora de biodiesel Be8 e membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável do governo federal, aparece no topo da lista de doadores de Lula com R$ 500 mil. Ele também repete a mesma quantia na campanha de Flávio Bolsonaro.

Eloi Vitório Marchett, empresário ligado ao setor de soja, lidera a lista de doadores de Bolsonaro com R$ 2 milhões. Esses valores refletem a influência do agronegócio nas campanhas presidenciais.

Recorrência de doadores entre eleições

Segundo o levantamento, 34 % dos doadores de Flávio Bolsonaro também financiaram Jair Bolsonaro em 2022, enquanto apenas 1,4 % dos doadores de Lula participaram das duas eleições.

Propostas de campanha para o setor

Plano de governo de Lula

O programa prevê fortalecimento do crédito rural via Plano Safra, ampliação do Pronaf, expansão da agricultura familiar e digitalização dos serviços de crédito. Também inclui ampliação do seguro rural, programa nacional de resiliência climática, apoio à Embrapa, produção de biocombustíveis e incentivo à exportação, com destaque para os 656 novos mercados abertos na atual gestão.

Flávio Bolsonaro (PL-RJ), percorreu a Norte Show 2026, em Sinop (MT).
Flávio Bolsonaro (PL-RJ), percorreu a Norte Show 2026, em Sinop (MT). — Foto: Vittor Sales/Divulgação Campanha Flávio Bolsonaro

Plano de governo de Flávio Bolsonaro

O candidato do PL propõe ampliar a conectividade rural, dar continuidade ao Wi‑Fi Brasil, simplificar autorizações de irrigação, desenvolver polos de irrigação no Matopiba e no semiárido, e acelerar a regularização fundiária. Também inclui expansão do saneamento rural, fortalecimento do seguro rural e incentivo à produção nacional de fertilizantes a partir de recursos minerais.

Desafios apontados pelo setor

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) destaca a necessidade de controle dos gastos públicos para reduzir a dívida nacional e baixar as taxas de juros, que impactam o endividamento dos produtores. A Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) apresenta uma agenda estratégica com cinco desafios centrais, entre eles a criação de política nacional de financiamento, seguro rural e resiliência climática, além de fortalecimento da defesa comercial.