A economia argentina registrou crescimento de 2,3% no PIB no primeiro trimestre de 2026 e inflação em torno de 30% ao ano, porém indicadores sociais apontam piora. A taxa de pobreza subiu para 32,3% no primeiro semestre e o desemprego chegou a 7,9% no segundo trimestre, segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec).
Destaques:
- PIB cresce 2,3% no 1T/2026
- Inflação cai para cerca de 30% ao ano
- Pobreza atinge 32,3% no 1S/2026
PIB avança, mas ritmo desacelera
No primeiro trimestre, o PIB subiu 2,3% em relação ao mesmo período de 2025; no segundo trimestre, o crescimento foi de 2%. Entre abril e junho, o produto interno caiu 0,6% em comparação com os três primeiros meses, já ajustado por sazonalidade. O consumo privado recuou 2,4%, o público 2,3% e os investimentos 0,8%.
A formação bruta de capital fixo registrou queda anual de 11,1%, indicando retração nos investimentos.
Setores exportadores impulsionam crescimento
No 1T, agropecuária, pesca, mineração e intermediação financeira lideraram a expansão, enquanto a indústria de transformação recuou 1,7% e o comércio varejista 0,3%. No 2T, exportações ganharam força: a pesca cresceu 44,7%, mineração 16,4% e agropecuária 6,9%. As exportações de bens e serviços aumentaram 13,7%, ao passo que importações caíram 8,6% e a indústria manufatureira recuou 2,1%.
Inflação desacelera, mas pobreza volta a subir
O governo de Javier Milei reduziu a inflação de quase 290% para cerca de 30% nos primeiros dois anos. Em agosto de 2026, a inflação mensal foi de 1,7%, a menor desde junho de 2025. Contudo, a taxa de pobreza, que havia caído para 28,2% no segundo semestre de 2025, voltou a 32,3% no primeiro semestre de 2026, afetando 9,7 milhões de pessoas. A extrema pobreza aumentou de 1,9 milhão (6,3%) para 2,2 milhões (7,5%).
Mercado de trabalho em tensão
A taxa de desemprego subiu para 7,9% no 2T/2026, frente a 7,6% no mesmo período de 2025, representando cerca de 1,8 milhão de desempregados nos 31 aglomerados urbanos monitorados. Quase 50% da força de trabalho permanece na informalidade.
Empresas enfrentam queda de empregadores registrados
A Superintendência de Riscos do Trabalho (SRT) registrou redução de empregadores com funcionários no seguro contra acidentes de 512.357 em novembro de 2023 para 480.067 em julho de 2026, queda de 6,3% em 18 meses consecutivos. O consumo enfraquecido, custos de energia e financiamento apertado pressionam especialmente pequenas e médias empresas. As importações de bens de consumo cresceram 34,7% no 1S/2026, enquanto a produção industrial recuou 12%.