As instituições financeiras brasileiras têm como principais preocupações o risco fiscal – ligado aos déficits sucessivos das contas públicas e à trajetória da dívida do governo – e a alta da inadimplência, que atingiu recorde em cenário de juros elevados.

"O sistema financeiro nacional permanece com capitalização e liquidez confortáveis e com provisões adequadas ao nível de perdas esperadas. Os testes de estresse de capital e de liquidez corroboram a robustez do sistema bancário", informou o BC.

Destaques:

  • risco fiscal e inadimplência são os principais riscos apontados
  • Banco Central divulgou o Relatório de Estabilidade Financeira (REF) do 1º semestre
  • próximo passo: monitoramento contínuo e ajustes nas políticas macroeconômicas

Relatório de estabilidade aponta vulnerabilidades

O Relatório de Estabilidade Financeira (REF), publicado pelo Banco Central, traz dados do primeiro semestre de 2024. O documento indica que os riscos refletem a expectativa de desaceleração econômica, incertezas sobre a sustentabilidade da dívida pública e o elevado endividamento de famílias e empresas.

Pesquisa interna revela termos mais citados

Em pesquisa realizada com as instituições financeiras, "inadimplência", "juros" e "inflação" surgiram entre os termos mais citados ao apontar riscos à estabilidade. As respostas também mencionaram a volatilidade dos mercados e a situação das contas públicas.

Contexto político e reação dos mercados

O relatório foi divulgado após o segundo turno das eleições presidenciais, realizado em 25 de outubro, que resultou na vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito para governar até 2030. O resultado provocou forte turbulência nos mercados: o Ibovespa caiu mais de 10% nos primeiros minutos, acionando o circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações.

Ao mesmo tempo, o dólar subiu 8,21% na segunda‑feira, fechando a R$ 5,40, frente a R$ 4,99 na sexta‑feira anterior.

Pressões sobre as contas públicas

Analistas apontam que os déficits fiscais recorrentes aumentam a pressão sobre os juros e elevam o custo da dívida pública. Entre os fatores que contribuíram para os déficits estão o aumento dos gastos governamentais e o reconhecimento de dívidas de gestões anteriores, como os precatórios.

Avaliação do Banco Central

Apesar dos desafios, o BC concluiu que não há "risco relevante" para a estabilidade financeira do país, destacando a robustez do sistema bancário diante das incertezas externas, como a guerra no Oriente Médio, que afeta preços do petróleo e a inflação.