O Copom manteve a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano. A decisão, tomada por unanimidade, pegou o mercado financeiro de surpresa, que aguardava redução de 0,25 ponto percentual.
"A decisão surpreendeu o mercado financeiro, que esperava um corte de 0,25 ponto percentual.", afirmou porta-voz do Banco Central.
Destaques:
- taxa Selic mantida em 13,75% ao ano
- decisão unânime do Copom
- próximo relatório de política monetária será divulgado no fim do mês
Contexto econômico
A manutenção da taxa ocorre em meio a tensões cambiais e ao início do fenômeno climático El Niño, que pressionam a inflação. Desde abril, o Copom havia reduzido a Selic cinco vezes, mas o agravamento da guerra no Oriente Médio e a instabilidade cambial dificultam novas baixas.
Vacância no Copom
Dois cargos do Copom estão vagos: Renato Gomes, diretor de Organização do Sistema Financeiro, e Diego Guillen, diretor de Política Econômica, cujos mandatos expiraram no fim de 2025. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não enviou ao Congresso as indicações para substituição.
Inflação e metas
O IPCA-15 de outubro registrou alta de 0,32%, impulsionado pela queda nas contas de luz. No acumulado de 12 meses, o índice subiu de 4,5% para 4,62%, acima do teto da meta de 4,5%. O IBGE divulgará o IPCA de setembro no dia 12.
Pela nova meta contínua, em vigor desde janeiro de 2025, a meta de inflação é de 3%, com tolerância de ±1,5 ponto percentual. A verificação da meta ocorre mensalmente, deslocando-se ao longo do tempo.
Projeções e mercado
O último Relatório de Política Monetária manteve a previsão de inflação para 2026 em 5,2%, mas a estimativa será revisada diante da recente queda. O boletim Focus indica que a inflação oficial deve fechar 2025 em 5,22%, acima do teto.
A taxa Selic influencia o crédito, a produção e o consumo. Enquanto a manutenção da taxa protege o controle inflacionário, impede a redução dos custos de crédito que poderia estimular a economia.
Perspectivas de crescimento
O Banco Central reduziu sua previsão de crescimento do PIB em 2026 para 1,8%. O mercado projeta expansão de 1,76%, ligeiramente abaixo da estimativa anterior de 1,85%.