O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União‑AP), lamentou nesta quarta‑feira (4) que políticos se promoveram durante as eleições ofendendo e agredindo pessoas. A fala ocorreu após críticas do líder do Partido Liberal (PL), Carlos Portinho (PL‑RJ), que cobrou votação de uma PEC para redução da maioridade penal.
"Algumas vezes, alguns colegas nossos passam apenas do debate para as agressões em relação a esta presidência", disse ele. "Infelizmente, muitos atores políticos do meu país chamado Brasil se promoveram e ganharam a eleição ofendendo e agredindo as pessoas".
Destaques:
- Alcolumbre denuncia agressões e mentiras no cenário político
- Críticas de Carlos Portinho sobre votação da PEC de maioridade penal
- Alcolumbre afirma que eleições foram vencidas com base em agenda contra Judiciário, Executivo e Senado
Alcolumbre afirmou que as agressões buscam angariar apoio do "radicalismo horrível" presente no país e que continuam prevalecendo ameaças e falsidades.
"E para minha tristeza e de milhões de pessoas, ganharam as eleições, com base em alguma agenda específica, fosse ela contra o Judiciário, fosse ela contra o Executivo, fosse ela contra o presidente do Senado Federal, porque dava voto na eleição", disse Alcolumbre.
Ele ainda criticou declarações que questionam o resultado das urnas, citando o senador Flávio Bolsonaro (PL) após o segundo turno.
"Abriu as urnas e ganharam a eleição, mas o pior de tudo isso é que no primeiro turno a urna eletrônica prestou [...] ela serviu para eleger 120 deputados federais do partido do candidato que perdeu a eleição, serviu para eleger 20 e tantos senadores, ela serviu para comemorar uma eleição vitoriosa do adversário do presidente Lula [...] e quando abriu no segundo turno, não prestou mais a urna", disse o presidente do Senado.
Portinho acusou Alcolumbre de descumprir acordo entre líderes para acelerar a votação da PEC, que propõe reduzir a maioridade penal para 14 anos em crimes hediondos e 16 anos nos demais casos.
"O Senado hoje está submetido ao Poder Judiciário e à Câmara dos Deputados. E o presidente do Congresso, senhor Davi, o senhor é o presidente do Congresso, senador. Não é o presidente do Congresso, senhor Davi? O senhor é o presidente do Congresso, senador! Não é a Câmara dos Deputados que diz como vai ser, o Senado é a Casa Alta. O senhor fez um compromisso; compromisso é para ser cumprido", disse Portinho.
Alguns senadores governistas defenderam Alcolumbre, considerando a fala de Portinho um ataque à sua atuação.
"Eu não ofendi ninguém. Muito menos ofenderia à vossa Excelência [Alcolumbre], muito menos tratei aqui de urna eletrônica", disse Portinho.
Portinho também comentou a fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos e afirmou que nenhum dos envolvidos respondeu ao compromisso não cumprido.