O Banco Central realizará a reunião do Copom nesta quarta‑feira (4) com foco na taxa básica de juros, a Selic. Economistas apontam maior probabilidade de que a instituição interrompa os cortes e mantenha a taxa em 13,75% ao ano, reflexo da deterioração das expectativas de inflação e da incerteza fiscal.
"Esperamos manutenção da taxa Selic em 13,75% na reunião de novembro. A decisão deve ser unânime e refletir a avaliação de piora do cenário‑base", afirmou o Itaú BBA.
Destaques:
- expectativa de Selic em 13,75% ao ano
- decisão deve ser unânime no Copom
- próximo passo: manutenção da taxa em 2024
Pressão fiscal e dívida pública
Nos 12 meses até setembro, o setor público registrou déficit nominal de R$ 1,28 trilhão e a dívida bruta alcançou 82,9% do PIB, equivalente a R$ 11,1 trilhões. O aumento da dívida eleva o risco percebido pelos investidores, encarecendo o custo do crédito público.
"Com dívida alta e crescente, o investidor passa a exigir mais para emprestar ao governo, e os juros longos sobem. Juro mais alto aumenta a dívida, e a dívida maior exige juro mais alto. É esse ciclo que o mercado teme", explicou Juliana Daitx, coordenadora de Investimentos da Unicred Porto Alegre.
Mercado reage à incerteza pós‑eleitoral
O Ibovespa encerrou a semana de 30 de outubro com queda de 18,12%, a quinta maior desvalorização semanal desde o Plano Real. As empresas listadas perderam R$ 963 bilhões em valor de mercado, equivalente a 1,31 vezes o valor da Petrobras.
Analistas apontam que a atividade econômica desacelerada, aliada a um mercado de trabalho resistente e a inflação ainda pressionada, reduz o espaço para novos cortes na Selic.
Projeções de inflação e risco cambial
O Itaú BBA revisou sua projeção de inflação para o segundo trimestre de 2028, elevando‑a de 3,2% para 3,4%. As estimativas para o IPCA foram ajustadas para 5,2% em 2026 e 6,1% em 2027. O banco alerta que uma redução prematura da taxa poderia pressionar o câmbio e dificultar a convergência da inflação.
"Uma redução prematura dos juros poderia pressionar o câmbio e dificultar a convergência da inflação para a meta", afirmou André Braz, economista do FGV IBRE.
Impacto nos consumidores e empresas
O Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central indica que o comprometimento da renda das famílias com dívidas atingiu o maior nível em 21 anos. O aumento do custo do crédito reduz a capacidade de consumo e investimento, agravando o cenário econômico.
Com a Selic possivelmente mantida em 13,75% ao ano, o Banco Central sinaliza cautela diante de um ambiente interno e externo desfavorável, enquanto o debate sobre a sustentabilidade fiscal continua.