O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) divulgado pelo Banco Central do Brasil (BC) nesta sexta‑feira (16) apontou expansão de 0,3% em agosto, comparado ao mês anterior. O resultado interrompe três meses de queda e indica melhora em relação a julho, quando o indicador recuou 0,3%.
O cálculo do IBC-Br inclui ajuste sazonal, permitindo comparar períodos diferentes. Na comparação anual, o índice cresceu 1,2%, enquanto na parcial do ano avançou 1,6%. Em 12 meses até agosto, o crescimento foi também de 1,6%, sem ajuste sazonal.
Desempenho setorial
O relatório detalha o desempenho setor por setor, embora o texto bruto não apresente a lista completa. O crescimento geral reflete recuperação em agropecuária, indústria e serviços, componentes incorporados ao indicador.
Relação com o PIB
O IBC-Br é considerado uma "prévia do PIB", mas difere da metodologia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Enquanto o índice do BC inclui estimativas de produção e impostos, não considera a demanda, aspecto presente no cálculo oficial do PIB.
Implicações para a política monetária
O indicador serve ao BC na definição da taxa básica de juros. Um maior crescimento econômico pode gerar pressão inflacionária, dificultando a queda dos juros. Na última ata do Copom, divulgada em setembro, o BC afirmou que o "hiato do produto" permanece positivo, indicando que a economia opera acima do potencial sem acelerar a inflação.
Contexto econômico
Em um ano eleitoral, o governo adotou medidas como a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil, liberação do FGTS e linhas de crédito mais baratas. Recentemente, aumentou o Bolsa Família de R$ 600 para R$ 691 e anunciou perdão de dívidas para microempreendedores individuais. Essas ações visam estimular a demanda, embora aumentem o desafio de controlar a inflação.
Perspectivas
Analistas projetam desaceleração da economia em 2026, com expansão estimada em 1,85%, abaixo dos 2,3% registrados no ano anterior. O desempenho do IBC-Br será acompanhado como sinal precoce da trajetória do PIB e da política de juros.