Abertura

A bolsa brasileira registrou queda de 13,88%, com o Ibovespa fechando em 176.608 pontos na segunda‑feira (26), dia da divulgação da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. O recuo eliminou R$ 734 bilhões em valor de mercado, quase o total da Petrobras.

Reação dos investidores

A surpresa com o resultado eleitoral fez investidores que esperavam um governo de centro‑direita reverem suas estratégias. A expectativa de gastos públicos mais elevados e controle da dívida incerta aumentou a aversão ao risco.

Avaliação de oportunidades

Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, alerta que a queda de preço não indica perda de capacidade produtiva das empresas.

"Uma queda de 10% tampouco significa que as empresas perderam, de um dia para o outro, 10% de sua capacidade de gerar resultados. Significa que os investidores passaram a aceitar preços menores diante dos riscos percebidos.”, afirmou Olívia Flôres de Brás.

Em cenários incertos, os investidores exigem compensação maior pelo risco. Assim, ações mais baratas podem ser oportunidades se a empresa mantiver boas perspectivas de lucro.

Fluxo de capitais e expectativas

A corretora Vault Research apontou que cerca de US$ 4 bilhões (R$ 21,5 bilhões) entraram na bolsa em outubro com a expectativa de um governo de centro‑direita. Com a reeleição de Lula, esses recursos foram retirados, pressionando os preços.

“Mesmo depois do tombo, o Ibovespa segue cerca de 9% acima do início do ano, com fiscal, inflação e balanço das empresas piores. Pode haver alívio pontual, mas a direção é de queda.”, disse analista da Vault.

Setores em foco

O BTG Pactual recomenda cautela e prioriza empresas que recebem receitas em moeda estrangeira, têm baixo endividamento ou operam em setores menos sensíveis à economia.

  • Exportadoras: Gerdau, Suzano, Vale, PRIO, SLC Agrícola, 3Tentos, São Martinho, WEG, Embraer
  • Ações defensivas: Caixa Seguridade, Porto Seguro, Ambev
  • Grandes nomes: Petrobras e Itaú Unibanco

“Empresas com balanços fortes (baixa alavancagem ou posição de caixa líquido) e que atuam em setores defensivos também devem se sair relativamente bem.”, afirmam analistas do BTG.

Riscos macroeconômicos

Juros elevados e incerteza fiscal aumentam a pressão sobre a bolsa. O Goldman Sachs destaca que a situação fiscal será o principal fator de risco, enquanto a composição do Congresso, dominada pelo Partido Liberal (PL), pode dificultar a aprovação de reformas.

“Dada a composição mais à direita do Congresso, o presidente Lula provavelmente enfrentará desafios ainda maiores do que no mandato atual por conta do bloco de oposição conservadora maior e pelo fato de seu capital político ser limitado, visto que não poderá buscar a reeleição em 2030”, argumenta Alberto Ramos, do Goldman Sachs.

Considerações finais

Investidores devem analisar fundamentos de cada empresa, capacidade de gerar resultados e exposição a dívidas antes de decidir por compras. A queda pode abrir oportunidades, mas o cenário de juros altos, inflação e déficit fiscal permanece desfavorável para a maioria dos papéis.