O Brasil encabeça o ranking de 40 países analisados pela consultoria Moneyou, com juros reais de 9,05%, sete vezes a média de 1,27% do conjunto. O índice, que desconta a inflação, coloca o país à frente de Turquia, Argentina, Rússia e Colômbia.
No levantamento anterior, divulgado em setembro, o Brasil já figurava no topo, porém com juros reais de 8,45%. Na quarta‑feira (4), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central interrompeu, por unanimidade, a sequência de cortes iniciada em abril, mantendo a taxa básica em 13,75% ao ano.
O Copom comunicou que as incertezas recentes ampliaram as pressões inflacionárias, mantendo as expectativas acima da meta. Não foram dadas indicações sobre a trajetória futura da taxa.
A Selic, principal ferramenta de controle inflacionário, acumulou alta de 4,5% para 4,62% nos últimos 12 meses, superando o teto da meta de 4,5%.
Especialistas e a indústria criticam a manutenção da taxa. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) qualificou a decisão como “injustificável” e onerosa para empresas e famílias.
"É possível continuar diminuindo os juros em ritmo compatível com a convergência da inflação para a meta, sem impor à economia um custo maior", afirmou Ricardo Alban, presidente da CNI.
Dados do Banco Central apontam que os juros elevados são a principal causa do aumento da dívida pública, consumindo mais de R$ 1,1 trilhão nos últimos doze meses, equivalente a 8,9% do PIB.
Com a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, agentes do mercado cobram cortes de gastos para estabilizar a dívida, que subiu de 71,7% do PIB em 2022 para cerca de 82,9% em agosto de 2026.
Economistas críticos à política monetária sugerem que, como os juros altos impulsionam o endividamento, é necessário buscar alternativas que reduzam a taxa real.