O ministro da Fazenda Jaime Quiroz alertou empresários cristãos em Santiago, no início de outubro, a não ceder ao pessimismo diante de indicadores econômicos fracos. O desemprego atingiu 9,6%, o maior nível em mais de cinco anos, e o PIB recuou 0,5% no primeiro trimestre, com nova queda de 0,2% no segundo, a maior retração desde a pandemia.

"O custo político para o governo foi muito elevado, pois a popularidade de Kast caiu rapidamente e não se recuperou", explicou o economista Nicolás Saldías.

Destaques:

  • desemprego recorde de 9,6%
  • queda do PIB de 0,5% no 1º trimestre
  • próximo passo: implementação da "megarreforma" fiscal

Queda nos investimentos e na mineração

Os investimentos produtivos, privados e públicos registraram crescimento nulo no segundo trimestre, reflexo da queda da construção civil. A mineração, principal motor de exportação, sofreu redução de 17,4% em termos anuais, levando o setor ao nível mais baixo das últimas três décadas.

Inflação e aumento dos combustíveis

O custo de vida subiu 4,1% em julho, impulsionado pelo forte aumento dos preços dos combustíveis, já que o Chile importa quase todo o petróleo que consome. O preço da gasolina na Região Metropolitana de Santiago aumentou cerca de 30%, enquanto o diesel subiu mais de 40% desde o início da guerra no Irã.

Medidas de austeridade e a "megarreforma"

Desde sua posse em março, o presidente José Antonio Kast adotou um plano de austeridade fiscal, cortando 3% do orçamento de todos os ministérios e reduzindo investimentos públicos. O governo apresentou ao Congresso a chamada "megarreforma", que inclui a redução do imposto corporativo de 27% para cerca de 23% e garantias de estabilidade tributária para grandes investimentos.

Perspectivas para 2025

Especialistas como Joan Domene (Oxford Economics) e Felipe Hernández (Bloomberg Intelligence) apontam para uma possível reversão dos fatores de incerteza no próximo ano, com projeções de leve desaceleração dos preços globais de energia e expectativa de recuperação econômica já no primeiro trimestre de 2025.

Debate político e social

A oposição critica a Lei Orçamentária de 2027, que prevê crescimento real dos gastos públicos de apenas 1,5%, alegando cortes em programas sociais. Pesquisas indicam desaprovação superior a 60% ao governo Kast, enquanto a população enfrenta alta inflação e desemprego histórico.