O cultivo de ópio no Afeganistão quadruplicou em 2024, alcançando 43 mil hectares, apesar da proibição estabelecida pelo governo talibã em 2022. O aumento eleva a produção estimada de ópio de 300 para 1.500 toneladas, conforme relatório do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC).

"Sem ópio, não conseguimos nem comprar a comida básica", declarou à AFP Mohamad, agricultor de 22 anos no nordeste do país.

Destaques:

  • Cultivo de ópio atinge 43 mil hectares em 2024
  • Proibição talibã de 2022 não impediu aumento da produção
  • Produção estimada sobe para 1.500 toneladas

Proibição talibã e queda das áreas de papoula

Em 2022, os talibãs anunciaram a proibição do comércio de papoula, reduzindo as áreas cultivadas de 200 mil para 10 mil hectares até 2025. As autoridades afirmam ter destruído mais de 22 mil hectares de plantações, mas o UNODC aponta que muitas áreas permanecem ocultas e difíceis de detectar.

Pobreza impulsiona retorno ao cultivo

A pobreza continua a forçar agricultores a retomar a produção de papoula, visto que a renda gerada pelo ópio ainda é essencial para a subsistência. O relato de Mohamad ilustra a dependência econômica da cultura ilícita em regiões vulneráveis.

Comparativo regional: Mianmar

Enquanto o Afeganistão mantém alta produção, Mianmar cultivou 53 mil hectares em 2025, superando o Afeganistão como maior produtor mundial de papoula. Dados para 2026 ainda não foram divulgados.

Desafios para a comunidade internacional

O relatório da ONU destaca a necessidade de alternativas produtivas para os agricultores afegãos, visando reduzir a dependência do ópio e melhorar a segurança alimentar na região.