As contas do governo registraram um superávit primário de R$ 4,8 bilhões em setembro, informou o Tesouro Nacional nesta terça‑feira (29). O resultado supera o déficit de R$ 15 bilhões registrado no mesmo mês de 2022, já corrigido pela inflação, e representa o melhor saldo para setembro desde 2023, quando o superávit foi de R$ 13,4 bilhões.
Receitas crescem 13,6% em setembro
Segundo o governo, as receitas líquidas – após transferências a estados e municípios – subiram 13,6% em termos reais, alcançando R$ 205 bilhões. O aumento decorre da expansão da economia, dos reajustes de impostos anunciados nos últimos anos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e da alta nos preços do petróleo.
Despesas avançam 2,4% em ritmo real
As despesas registraram alta real de 2,4%, totalizando R$ 200,1 bilhões. Entre os principais componentes, destacam‑se:
- Créditos Extraordinários (+R$ 9,9 bilhões), reflexo das medidas de mitigação dos impactos econômicos dos conflitos no Oriente Médio;
- Benefícios Previdenciários (+R$ 2,1 bilhões);
- Redução nas despesas discricionárias (-R$ 8,4 bilhões);
- Despesas obrigatórias com controle de fluxo (-R$ 1,5 bilhão) do Poder Executivo.
Acumulado de janeiro a setembro: déficit de R$ 90,2 bi
No período de janeiro a setembro, as contas apresentaram déficit primário de R$ 90,2 bilhões, melhora em relação ao mesmo intervalo de 2022, quando o saldo positivo foi de R$ 103,2 bilhões (corrigido). O resultado ainda supera o melhor desempenho desde 2022, quando o superávit foi de R$ 39,4 bilhões.
Perspectivas fiscais para 2026
Nos nove primeiros meses de 2026, a receita líquida totalizou R$ 1,87 trilhão, com alta real de 6,5%. As despesas somaram R$ 1,97 trilhão, registrando alta real de 5,4%. A meta fiscal para o ano é alcançar saldo positivo de 0,25% do PIB, cerca de R$ 34,3 bilhões. O arcabouço fiscal de 2023 permite tolerância de 0,25 ponto percentual; assim, o governo considerará cumprida a meta se o saldo ficar entre zero e R$ 68,6 bilhões de superávit.
"O texto permite que o governo retire desse cálculo R$ 67,3 bilhões em despesas e use esses recursos para pagar, por exemplo, precatórios", explicou o arcabouço fiscal.
Com a banda de tolerância, a previsão oficial indica que as contas podem registrar déficit de R$ 67,3 bilhões ao final do ano, o que, se confirmado, manterá o saldo negativo ao longo de todo o terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).