Abertura
O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União‑AP), já trabalha para ser reeleito em 2027, independentemente de quem assuma a Presidência da República – Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou Flávio Bolsonaro (PL‑RJ). A estratégia inclui dividir o voto dentro do Partido Liberal (PL), que conta com 29 cadeiras após as eleições de 2026.
Conflito com Rogério Marinho
Na quinta‑feira (15), Alcolumbre e Rogério Marinho (PL‑RN) trocaram acusações no plenário após a retirada da PEC da Segurança da pauta. Marinho questionou se a decisão atendia ao governo; Alcolumbre respondeu que foi sua própria decisão como presidente da Casa.
"A retirada de pauta se deveu ao pedido do governo?", questionou Marinho. "Não, a retirada de pauta se deveu à minha decisão da Presidência do Senado Federal", respondeu Alcolumbre.
Estratégia de apoio interno
Alcolumbre pretende rachar o PL, contando com aliados como o senador Eduardo Gomes (PL‑TO), vice‑presidente do Senado, que pode ser escolhido relator do Orçamento de 2027. Essa escolha sinaliza ao PL que a liderança de Alcolumbre permanece influente, apesar da relatoria oficial estar prevista para um senador do MDB.
Apoios externos
Líderes do MDB e do PSD anunciaram apoio à reeleição de Alcolumbre. Na terça‑feira (13), Eduardo Braga (MDB‑AM) e Otto Alencar (PSD‑BA) declararam apoio público.
"Eu tive a oportunidade de exercer o meu voto favorável à sua Presidência e posso exercê‑lo de novo pelo trabalho, pela sua perseverança, pela sua presença no Senado Federal discutindo as matérias", afirmou Alencar.
Cenário político
O PL, que elegeu 19 novos senadores em 2026, busca consolidar sua influência. Em 2023, Marinho perdeu a disputa pela presidência do Senado para Rodrigo Pacheco (49 a 32 votos). Em 2025, o PL apoiou Alcolumbre, evitando risco de exclusão da Mesa Diretora.
Aliados estimam que Alcolumbre pode contar entre 44 e 49 votos, números semelhantes aos obtidos por Pacheco em 2023. Além disso, lideranças de outros partidos consideram unir-se em torno de Alcolumbre para impedir que um governo Flávio Bolsonaro, com o PL na presidência, reduza a independência do Congresso.
Negociações de gabinetes e cargos
Alcolumbre tem negociado a alocação de gabinetes no Anexo II do Senado, incluindo espaços com acesso reservado ao estacionamento. O senador Jorge Kajuru (PSB‑GO) já recebeu visitas de quase duas dezenas de novos parlamentares em seu gabinete.
Alcolumbre também tem buscado acomodar senadores adversários, como a eleita Rayssa Furlan (PSD‑AP), que derrotou candidatos de Alcolumbre no Amapá.
Manobras institucionais
Apesar de se opor ao impeachment de ministros do STF, Alcolumbre defende a indicação de Rodrigo Pacheco (TCU) ao STF, pressionando o governo Lula a considerar seu nome. A nomeação seria estratégica tanto para um eventual presidente Lula quanto para Flávio Bolsonaro, garantindo ao presidente do Senado um aliado no Supremo.
A articulação inclui ainda a possibilidade de abrir vaga no TCU, que poderia ser usada como moeda nas negociações de apoio à reeleição de Alcolumbre.