O Banco Central (BC) informou nesta sexta‑feira (31) que as empresas estatais federais registraram déficit de R$ 8,5 bilhões no período de janeiro a setembro de 2024. O resultado supera o recorde anterior de 2025, quando o rombo foi de R$ 6,3 bilhões, e já ultrapassa o déficit de R$ 6,73 bilhões registrado para o ano completo de 2024.

Destaques:

  • déficit de R$ 8,5 bilhões até setembro
  • pior resultado da série histórica do BC (desde 2002)
  • projeção de déficit até 2030 no LDO 2027

A série histórica do BC exclui Petrobras, Eletrobras e empresas do setor financeiro, que foram retiradas do cálculo em 2009. Entre as estatais consideradas estão Correios, Emgepron, Hemobrás, Casa da Moeda, Infraero, Serpro, Dataprev e Emgea.

O conceito adotado pelo BC foca na variação da dívida, padrão usado em análises fiscais internacionais, diferente do critério “acima da linha” usado pelo governo, que subtrai receitas e despesas sem incluir juros da dívida.

"Essa deterioração não é uniforme nem decorre de uma única causa, mas os dados levantados pela IFI permitem identificar padrões que merecem atenção do ponto de vista da gestão fiscal", acrescentou o órgão, por meio do Relatório de Acompanhamento Fiscal de julho.

No projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027, encaminhado ao Congresso em abril, o governo reconhece que as estatais federais, em déficit desde 2023, permanecerão no vermelho até 2030.

A Instituição Fiscal Independente (IFI), vinculada ao Senado, apontou deterioração perceptível na saúde financeira de parte relevante das estatais, elevando o risco para o Tesouro Nacional.

O pior desempenho vem dos Correios, que enfrentam grave crise fiscal. A empresa está há 15 trimestres consecutivos no vermelho e registrou prejuízo de R$ 5,6 bilhões no primeiro semestre de 2024.

Para mitigar o rombo, o governo autorizou, em maio, que os Correios vendam seguros, títulos de capitalização e atuem no mercado de telefonia, mediante convênios com instituições financeiras, conforme plano de reequilíbrio e reestruturação do Ministério da Gestão.