A delegada Ana Paula Lamego Balbino voltou ao trabalho na última quinta‑feira (8), após 13 meses afastada por licença médica. O retorno ocorre após a publicação de um ajustamento funcional de 90 dias no Diário Oficial (15).

O ajustamento, definido pela Diretoria de Perícias da PCMG, permite adequar as atribuições da servidora às suas condições de saúde. O primeiro afastamento foi concedido em 13 de agosto de 2025, dois dias após o assassinato do gari Laudemir de Souza Fernandes.

Transferência administrativa

Em setembro, a delegada foi transferida da Casa da Mulher Mineira para a Diretoria de Administração e Pagamento de Pessoal, vinculada à Superintendência de Planejamento, Gestão e Finanças da Polícia Civil. A mudança seguiu decisão unânime do Órgão Especial do Conselho Superior da PCMG e está amparada no artigo 56 da Lei Complementar nº 129/2013, que permite remoção para o setor de recursos humanos após 180 dias de afastamento.

Contexto do crime

O gari Laudemir Fernandes, 44 anos, foi morto a tiros em 11 de agosto de 2025, no bairro Vista Alegre, Região Oeste de Belo Horizonte. Segundo a investigação, o empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, marido da delegada, disparou contra o trabalhador após discussão de trânsito. Renê foi preso horas depois em uma academia da capital.

A Polícia Civil concluiu que a arma usada pertencia à delegada, que foi indiciada por prevaricação e porte ilegal de arma de fogo.

Processo judicial

Em janeiro de 2026, a Justiça determinou que Renê da Silva Nogueira Júnior seja levado a júri popular por homicídio triplamente qualificado, com as qualificadoras de motivo fútil, perigo comum e recurso que dificultou a defesa da vítima. Ele também responde por ameaça, tentativa de fraude processual e porte ilegal de arma de fogo. Ainda não há data definida para o julgamento.