A vitória do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas na terça‑feira (3), deu ao partido a maioria na Câmara e no Senado. O resultado pode dificultar a continuidade do chamado "tarifaço", política de aumento de impostos sobre importações usada por Donald Trump para pressionar parceiros comerciais.
"Os democratas parecem perceber que os compromissos de investimento foram impostos aos aliados", afirmou Heo Yoon, professor de economia da Universidade Sogang, à Reuters.
Destaques:
- Democratas conquistam maioria na Câmara e no Senado
- Possível freio ao "tarifaço" de Trump
- Congresso pode criar obstáculos a novas tarifas
Impacto imediato no comércio americano
Com o controle do Congresso, os democratas podem fiscalizar mais intensamente as propostas de tarifas e criar obstáculos legislativos. Contudo, não têm poder para revogar automaticamente todas as tarifas já em vigor, como as baseadas nas Seções 232 e 301, que permitem ao presidente impor taxas por segurança nacional e práticas comerciais desleais.
Em 20 de fevereiro, a Suprema Corte derrubou tarifas fundamentadas na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), mas manteve as medidas das Seções 232 e 301.
Repercussões para parceiros comerciais
Japão e Coreia do Sul
Os compromissos de investimento bilionário firmados pelo Japão (US$ 550 bi) e pela Coreia do Sul (US$ 350 bi) podem ser reavaliados. Especialistas apontam que os dois países terão mais liberdade para analisar os projetos antes de cumprir as promessas.
"Uma vitória democrata não tornará necessariamente Trump mais flexível em relação a qualquer país", afirmou Rajiv Bhatia, ex‑diplomata indiano.
Índia
A Índia, que recentemente reduziu as tarifas sobre seus produtos de 50 % para 18 %, pode adotar postura mais cautelosa nas negociações com Washington, buscando condições favoráveis antes de avançar.
China
A China pode tentar explorar o enfraquecimento político de Trump, mas o Congresso democrata pode impor regras mais rígidas sobre a venda de tecnologias estratégicas, como inteligência artificial e semicondutores.
"É improvável que os democratas deem carta branca a Trump para negociar com Pequim", disse Alicia Garcia‑Herrero, economista‑chefe da Natixis para a Ásia‑Pacífico.
Perspectivas para o Brasil
Para o Brasil, a vitória democrata pode dificultar a adoção de novas tarifas e acelerar a reação do Congresso a eventuais atritos comerciais. Marcos Praça, diretor de Análise da ZERO Markets Brasil, avalia que o novo equilíbrio de forças pode limitar a capacidade de Trump de impor medidas contra o país.
Próximos passos de Trump
Apesar das mudanças no Congresso, Trump ainda mantém poderes presidenciais para impor tarifas. O presidente deve viajar à Ásia ainda neste mês, com encontros nas Filipinas e participação no Fórum de Cooperação Econômica Ásia‑Pacífico (APEC) em Shenzhen, na China, onde poderá testar sua estratégia comercial diante de um Congresso mais crítico.