Abertura
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) publicou um vídeo em inglês afirmando, sem apresentar provas, que a eleição presidencial de 2022 foi fraudada e pediu pressão internacional para impedir o reconhecimento do resultado. O conteúdo foi divulgado após seu irmão, Flávio Bolsonaro (PL), também contestar a derrota.
Declarações de Eduardo Bolsonaro
No vídeo, Eduardo repete argumentos usados por Flávio após a derrota, questionando a virada de Lula entre os turnos e a prorrogação de duas horas do horário de votação decidida pelo ministro Cristiano Zanin, do STF. Ele cita pesquisas eleitorais e a soma dos votos de candidatos derrotados no primeiro turno para sugerir irregularidades, mas não apresenta evidências.
"Esta é uma mensagem para vocês: não reconheçam estas eleições, porque ainda mais fatos estão surgindo agora", afirmou Eduardo.
Ele conclui pedindo o cancelamento da eleição e a organização de mobilização fora do país.
Reação de Flávio Bolsonaro e do TSE
Flávio Bolsonaro, que liderava o primeiro turno com 47,03% dos votos contra 45,16% de Lula, declarou que a prorrogação da votação foi "inaceitável" e prometeu solicitar a anulação das eleições. Ele também acusou fiscais do PL de terem sido retirados da sala‑cofre do TSE, alegação que o tribunal negou.

O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, garantiu "absoluta segurança de todo o processo eleitoral". A Procuradoria‑Geral da República, por meio do procurador Paulo Gonet Branco, reforçou que o Ministério Público fiscalizou a eleição e que "a democracia se fortalece quando as regras são cumpridas".
Contexto da disputa eleitoral
Lula foi reeleito em 25 de outubro, com 51,74% dos votos válidos, após a apuração de 97% das urnas às 21h08. No segundo turno, Flávio ficou com 48,26%. No primeiro turno, a situação era inversa, com Flávio à frente.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, afirmou que "não há o que se contestar" e que a vitória foi "da democracia".
Histórico de questionamentos de Eduardo Bolsonaro
Dois dias antes da votação, Eduardo participou do podcast americano "Louder with Crowder" e alegou que as urnas eletrônicas poderiam ser fraudadas, sem apresentar provas. A urna eletrônica, usada no Brasil desde 1996, nunca teve fraude comprovada, segundo o TSE.

Eduardo vive nos Estados Unidos desde 2025. Em dezembro daquele ano, a Mesa Diretora da Câmara declarou a perda de seu mandato por excesso de faltas. Em junho, a Primeira Turma do STF o condenou por coação no curso do processo, com pena de quatro anos e dois meses de prisão em regime semiaberto. A condenação tornou‑se definitiva em 3 de outubro, e o ministro Alexandre de Moraes determinou o início do cumprimento da pena, a expedição de mandado de prisão e o cancelamento dos passaportes brasileiros de Eduardo.