O presidente da Audi, Gernot Doellner, esteve ao lado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em um comício de campanha na Geórgia nesta segunda‑feira (26). A presença gerou críticas intensas ao se considerar violação das regras internas de neutralidade política da empresa, coincidente com o anúncio de um investimento de US$ 4 bilhões para a primeira fábrica da Audi nos EUA.

Críticas de sindicatos e autoridades

Christiane Benner, presidente do IG Metall e vice‑presidente do conselho de supervisão da Volkswagen, qualificou a aparição de Doellner como "profundamente constrangedora" e "politicamente inaceitável". Ela afirmou que a ação violou o código de conduta que proíbe compromissos públicos com partidos ou candidatos nos três meses que antecedem eleições.

"A forma como Gernot Doellner se apresentou e apresentou a Audi nos EUA é profundamente constrangedora, politicamente inaceitável e indigna da empresa", disse Benner.

O primeiro‑ministro da Baixa Saxônia, Olaf Lies, também condenou a participação, alegando que um comício não é o local adequado para anunciar um investimento dessa magnitude.

Reação do governo alemão

O governo alemão, por meio do porta‑voz adjunto Sebastian Hille, declarou que a presença de Doellner foi uma decisão empresarial e não acrescentou comentários adicionais.

"Trata-se de uma decisão empresarial relativa a onde a empresa investe e, neste caso, onde o CEO da empresa atua. Não tenho mais nada a acrescentar", afirmou Hille.

Detalhes do investimento

Donald Trump anunciou que a Audi pretende investir US$ 4 bilhões (R$ 20,2 bilhões) na construção de uma fábrica com capacidade para 200 mil SUVs por ano. A montadora informou que a obra deve gerar cerca de 4,5 mil empregos.

A Audi confirmou que a construção está prevista para iniciar em 2027, com a produção começando no início da década de 2030.

"Estou empolgado em anunciar um grande investimento na indústria automobilística no grande estado da Geórgia", disse Trump durante o comício.