Uma equipe de pesquisadores da USP, da PUC Minas e da Universidade de Bergen analisou gotículas de água aprisionadas em uma estalagmite da Gruta Rei do Mato, em Sete Lagoas, e constatou que o ritmo atual de aquecimento na América do Sul é 2,5 vezes mais rápido que o registrado nos últimos 20 mil anos.
Metodologia baseada em estalagmites
Os cientistas utilizaram uma estalagmite solta na caverna, cujas camadas cristalinas preservam minúsculas gotas de água que datam de milhares de anos. Cada gota funciona como um registro histórico da temperatura externa média.
"A água é aprisionada na formação do cristal. Não é uma água de hoje, foi feita há milhares de anos. O que ela pode revelar? A condição atmosférica daquela época", explicou Luiz Eduardo Panisset Travassos, professor de geografia da PUC Minas.
Resultados alarmantes
A análise mostrou que a temperatura média dentro da caverna subiu de 14,4°C para 20,1°C. O ritmo de aquecimento supera a fase mais acelerada da transição climática conhecida, que ocorreu na saída da era glacial.
"À medida que o CO2 foi aumentando, as temperaturas da região também foram aumentando. Nossa taxa atual de aquecimento supera em algumas vezes a fase mais acelerada que observamos durante a mais importante transição climática que temos registro", alertou Nicolás Strikis, do Instituto de Geociências da USP.
Implicações e caminhos
Os autores apontam que o aumento das temperaturas acompanha diretamente o crescimento das emissões de gases de efeito estufa (CO₂). Apesar da gravidade, eles ressaltam a necessidade de medidas de mitigação, como reflorestamento e tecnologias de captura de carbono, além de políticas públicas de adaptação.
"Nem tudo está perdido. É importante tomarmos medidas para diminuir as emissões de gases de efeito estufa e fazer a captura desses gases através de reflorestamento ou outras tecnologias. Além disso, é fundamental que a sociedade tenha políticas públicas para se preparar para as consequências", concluiu Strikis.
A pesquisa, que traz dados de alta precisão sobre o comportamento das temperaturas em regiões tropicais, foi publicada na Nature e já recebeu repercussão internacional.