O Federal Reserve (Fed) manteve, nesta quarta‑feira (28), a taxa de juros dos EUA inalterada na faixa de 3,75% a 4% ao ano, o nível mais elevado desde outubro de 2025. A decisão segue as expectativas do mercado e ocorre a poucos dias das eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro, que definirão o controle do Congresso.
Contexto da decisão
Na reunião de setembro, o Fed havia elevado a taxa em 0,25 ponto percentual, a primeira alta em mais de três anos. Desde então, a alta dos preços do petróleo e as tensões no Oriente Médio mantiveram a inflação em foco. O Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) afirmou que a atividade econômica continua se expandindo em ritmo forte e que “os gastos domésticos têm se mostrado resilientes”, embora a incerteza permaneça elevada.
Implicações políticas e econômicas
A manutenção da taxa ocorre em um cenário de insatisfação dos americanos com a economia e o alto custo de vida, que pressionam o governo de Donald Trump. As eleições de meio de mandato renovam todas as cadeiras da Câmara e cerca de um terço do Senado, e os republicanos buscam preservar o controle das duas casas para avançar sua agenda nos últimos dois anos de mandato.
Comentários do presidente do Fed
Em entrevista coletiva, o presidente do Fed, Kevin Warsh, reforçou o compromisso de levar a inflação de volta à meta de 2% e destacou que a política monetária não depende de uma data ou de um único indicador.
“Controlar a inflação não é uma questão de escolher uma data específica no calendário. Da mesma forma, não se trata de um dado isolado”, afirmou.
Warsh também apontou que a economia americana deve ter crescido a um ritmo anualizado superior a 3% no terceiro trimestre, impulsionada por consumo saudável e investimentos empresariais de dois dígitos.
“O terceiro trimestre parece ter registrado uma expansão ainda mais rápida, impulsionada por um consumo saudável, que provavelmente cresceu a uma taxa superior a 3%, e pelos investimentos empresariais, que provavelmente aumentaram a uma taxa de dois dígitos”, afirmou.
Reações internas ao Fed
A decisão não foi unânime: a diretora Lisa Cook e a presidente do Federal Reserve de Cleveland, Beth Hammack, votaram contra a manutenção e defenderam uma elevação de 0,25 ponto percentual.
Reflexos no Brasil
Juros elevados nos EUA mantêm os Treasuries atrativos, fortalecendo o dólar e pressionando o real. O cenário tende a reduzir investimentos estrangeiros no Brasil, desvalorizando a moeda local e aumentando a pressão inflacionária, o que pode levar o Copom a manter a taxa Selic em patamar alto por mais tempo.