Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) enviou, em 28 de outubro, carta contestando o resultado da eleição presidencial de 2022 após se mudar para os Estados Unidos. A mensagem, divulgada em imagens nas redes sociais, alegou fraude e se autodenominou "líder do Brasil", gerando críticas no plenário do Senado e de diversas legendas partidárias.

Reação no Senado

No plenário, o senador Alessandro Vieira (MDB‑SE) classificou a contestação como "ridícula" e ressaltou que o resultado já foi reconhecido pelos aliados do candidato derrotado. "A gente precisa, de uma vez por todas, encerrar no Brasil esse circuito ridículo...", afirmou.

"Sabemos que o presidente eleito pela quarta vez foi Lula", acrescentou Vieira.

Declarações de lideranças partidárias

Randolfe Rodrigues (PT‑AP), líder do governo no Congresso, denunciou a carta como "ofensa" ao processo eleitoral: "O derrotado nas eleições foge do país... e busca que potência estrangeira não reconheça o resultado".

O senador Rogério Marinho (PL‑RN) sugeriu que pode ter havido erro na confecção do texto, enquanto aliados de Flávio Bolsonaro expressaram surpresa e apontaram caminho para Michelle Bolsonaro (PL) assumir protagonismo na oposição.

Primeira versão da carta postada por Flávio em uma rede social se chamava de 'presidente eleito'
Primeira versão da carta postada por Flávio em uma rede social se chamava de 'presidente eleito' — Foto: Reprodução/X

Posicionamento dos partidos e do TSE

Partidos como PT, PCdoB, PV, PSB, PSOL, Rede e PDT emitiram nota afirmando que "o Brasil não aceita interferência estrangeira" e que a contestação não se sustenta. O União Brasil declarou que a eleição de 25 de outubro transcorreu com lisura e que é hora de encerrar a disputa.

"Passada a eleição, é hora de encerrar a disputa e pensar nos enormes desafios que se colocam diante do nosso país", disse Antonio Rueda, presidente nacional do União Brasil.

O ministro Kassio Nunes Marques, presidente do TSE, reiterou que as eleições transcorreram dentro da mais absoluta normalidade.

Opiniões de líderes externos

Aécio Neves (PSDB) considerou incompreensível o comportamento de Flávio Bolsonaro, ressaltando que a oposição deve atuar dentro das regras democráticas. O MDB reafirmou confiança no sistema eleitoral.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), reconheceu a indignação de Flávio, mas enfatizou a necessidade de respeitar o resultado e seguir em frente.

"Entendo o sentimento de Flávio, entendo sua indignação e sua revolta... Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente", afirmou.