O helicóptero Arcanjo 4 do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais decolou de um trevo rodoviário em Ouro Preto às 17h45, com visibilidade estimada em 180 metros, bem abaixo do mínimo de 1 km exigido para o tipo de voo. Cerca de 30 segundos após a partida, a tripulação perdeu contato visual com o solo e, aos 55 segundos, a superfície rochosa apareceu abruptamente nas imagens, culminando na colisão com a serra.
Visibilidade insuficiente e decisão de voo
O relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), datado de 28 de outubro de 2026, aponta que a baixa visibilidade, combinada com a proximidade do pôr‑do‑sol, levou a equipe a interpretar o momento como a última oportunidade para retornar por via aérea. O documento destaca que a tripulação não reconheceu adequadamente a condição como ameaça à segurança.
Falhas de treinamento e fadiga
A investigação identificou que os dois pilotos não participaram do último ciclo de treinamento de gerenciamento de recursos da tripulação, realizado em 2023, apesar da exigência regulamentar. Além disso, o comandante apresentava sinais de possível estafa nos dias anteriores ao acidente, e ambos acumulavam atividades operacionais e administrativas, o que pode ter contribuído para a decisão de decolar.
Consequências e medidas adotadas
Após a queda, que matou quatro bombeiros, um médico e um enfermeiro do Samu, o Corpo de Bombeiros suspendeu temporariamente as operações aéreas. Foram adotadas medidas como a reorganização das escalas, a incorporação de uma psicóloga à equipe e a revisão dos procedimentos e treinamentos. O Cenipa recomendou ainda auditorias nos sistemas de gestão de segurança das unidades.

Identificação das vítimas
Os ocupantes do helicóptero foram:
- Wilker Tadeu Alves da Silva, capitão e piloto;
- Welerson Gonçalves Filgueiros, sargento;
- Gabriel Ferreira Lima e Silva, sargento;
- Marcos Rodrigo Trindade;
- Bruno Sudário França;
- Médico e enfermeiro do Samu (nomes não divulgados).