Senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) deixou o Brasil na quarta‑feira (28) e publicou uma carta em que se declarou "presidente eleito do Brasil". O documento foi alterado logo depois, passando a apresentar o senador como líder do país, mas manteve trechos que negam o resultado da eleição de 25 de outubro.
"presidente eleito do Brasil", afirmou Flávio Bolsonaro.
Destaques:
- Senador Flávio Bolsonaro autodeclara‑se presidente eleito
- Partido PL registra desconforto interno
- Tarcísio de Freitas pode ganhar protagonismo na direita
A carta gerou desconforto entre membros do PL. Valdemar Costa Neto, presidente da sigla, disse que não aprovou o conteúdo e que nem o ex‑presidente Jair Bolsonaro sabia da viagem do filho aos EUA.
"[Ele] passou uma situação difícil, nós compreendemos, mas não aprovamos", declarou Valdemar.
Apenas José Medeiros (PL‑MT) compartilhou a versão original da carta nas redes; Nikolas Ferreira (PL‑MG) comentou apenas o termo usado. O senador Rogério Marinho (PL‑RN), coordenador da campanha de Flávio, atribuiu a autodeclaração a um "erro de confecção".
Desgaste de Flávio abre espaço para Tarcísio de Freitas
Aliados do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), veem na saída de Flávio uma oportunidade para assumir maior protagonismo na direita e avaliar uma candidatura à Presidência em 2030. Interlocutores afirmam que o governador tem recebido telefonemas de governadores, senadores, empresários e representantes do agronegócio.
Em entrevista ao O Estado de S. Paulo, Tarcísio declarou que, "terminando bem o segundo mandato, obviamente abre uma possibilidade" de disputar a eleição de 2030, mas que a decisão seria tomada em grupo.
Um integrante da cúpula do governo paulista ressaltou que ainda é cedo para discutir a disputa, mas que a contestação eleitoral de Flávio foi "erro político de grandes proporções".
Resistência interna ao novo alinhamento
A ex‑primeira‑dama Michelle Bolsonaro (PL) também é apontada como possível vice em uma eventual chapa com Tarcísio, mas enfrenta resistência da ala mais fiel à família Bolsonaro. O vice‑prefeito de São Paulo, coronel Mello Araújo, indicado por Jair Bolsonaro, defendeu a autoridade do ex‑presidente, afirmando que "nosso maior líder está preso" e que quem tenta assumir o comando "não vai prosperar".
Esquerda repudia a carta e alerta contra interferência estrangeira
Partidos de esquerda – PT, PCdoB, PV, PSB, PSOL, Rede e PDT – emitiram nota conjunta na quarta‑feira (28) repudiando a contestação do resultado eleitoral e alertando contra interferência estrangeira. O documento ressaltou que a prorrogação do horário de votação foi solicitada por ambas as campanhas devido a restrições de transporte e chuvas, e que a medida foi aplicada de forma isonômica em todo o país.
"O Brasil não aceita interferência estrangeira em seu processo democrático", afirmaram as siglas.
Os partidos ainda destacaram que a legalidade da eleição foi confirmada pela Justiça Eleitoral, pelas próprias legendas, inclusive o PL, e por observadores internacionais independentes.
"O Brasil não é quintal de ninguém, e a vontade soberana do povo brasileiro será respeitada", concluíram.