Os candidatos à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) discutiram segurança pública no debate da TV Globo, na noite de 23 de setembro.

Flávio foi questionado por Lula sobre os motivos de defender o policial acusado de disparar contra a menina Ana Clara, de 5 anos, em 2021. O candidato respondeu que confia que não foi o policial e que ainda não houve julgamento.

"Eu quero saber quem foi o autor desse disparo, porque eu tenho a confiança que não foi esse policial. Ele sequer foi julgado ainda", disse Flávio.

A mãe da vítima, Cristiane Gomes da Silva, estava presente na plateia. Flávio dirigiu‑se a ela pelo nome da filha e lamentou a morte, alegando que houve troca de tiros e que a comunidade estava “deflagrada”.

"Era uma troca de tiros, uma comunidade deflagrada. A senhora sabe que tem o tráfico de drogas aí", afirmou.

Cristiane contestou a versão, citando perícia da Polícia Civil que descartou troca de tiros.

"Ele não respondeu porque defendeu o assassino da minha filha. Ele inventou um confronto ali como o policial inventou no dia", disse.

Propostas de segurança de Flávio Bolsonaro

Flávio reiterou que, se eleito, classificará organizações criminosas como narcoterroristas. Defendeu ainda a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos e a possibilidade de 14 anos para crimes hediondos, como estupro.

Resposta de Luiz Inácio Lula da Silva

Lula rebateu as declarações, lembrando supostas relações de Flávio com milicianos do Rio de Janeiro. Propôs a criação de um Ministério da Segurança Pública, o fortalecimento da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal, e o combate ao milicídio e narcotráfico em todo o país.

"Vou criar o ministério, fortalecer a Polícia Federal, fortalecer a Polícia Rodoviária Federal e acabar com essa bandidagem de miliciano e narcotráfico aqui no Rio de Janeiro e no Brasil inteiro", afirmou Lula.

Educação no debate

Flávio Bolsonaro propôs investimento no ensino integral, argumentando que crianças mais próximas da escola ficam mais longe do crime. Sugeriu ainda ampliar o ensino técnico no contraturno para preparar jovens para as profissões do futuro.

"Eu vou investir muito no ensino integral. Porque criança mais perto da escola é criança mais longe do crime... eu vou investir no ensino técnico no contraturno, por exemplo, para que as crianças possam aprender as profissões do futuro", declarou.

Lula, por sua vez, destacou o programa Pé-de-Meia, que incentiva a poupança para estudantes do ensino médio público, e anunciou a criação de uma versão universitária do programa.

"Eu tenho muito orgulho de participar do momento histórico desse país, em que a gente fez mais universidade, a gente fez mais instituto federal, a gente fez mais escola de tempo integral, a gente cuidou da educação como jamais tinha sido cuidado", disse Lula.