O fundo de investimentos EWZ, que acompanha ações de grandes empresas brasileiras na bolsa de Nova York, registrou queda de 20,86% no pré‑mercado desta segunda‑feira (26), logo após a confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Por volta das 14h38 (horário de Brasília), o fundo cotava US$ 33,71, frente a US$ 42,59 no fechamento da sexta‑feira (23). A desvalorização acompanha a forte alta do dólar, que avançava 8,65% e cotava R$ 5,4248 às 9h, bem como a expectativa de abertura do Ibovespa às 10h.
Impacto nas ações brasileiras negociadas nos EUA
As perdas não se limitaram ao EWZ. As ADRs de grandes empresas brasileiras recuaram: Petrobras perdeu cerca de 20%, Itaú 28,5%, Bradesco 26,8% e Nubank 24%. O Mercado Livre registrou desvalorização de 10,3%.
Reação em outros mercados
Na Ásia, os contratos futuros do real para novembro caíam cerca de 10% e um fundo que acompanha a bolsa brasileira em Tóquio registrou perdas de 15%. O banco americano JP Morgan reduziu sua recomendação para o real e os títulos públicos brasileiros de overweight para marketweight, apontando revisão de preços dos ativos após a eleição.
Análise de mercado
Vinicius Moreira, analista do JP Morgan, afirmou que o resultado eleitoral deve provocar "uma forte revisão dos preços dos ativos brasileiros nesta segunda‑feira". O banco destacou três fatores que manterão a atenção dos investidores: a reação da oposição, especialmente de Flávio Bolsonaro, e os efeitos das oscilações de mercado nas decisões econômicas do presidente.
Empresas mais dependentes da economia interna, como as dos setores de consumo e serviços, devem ser mais afetadas, enquanto exportadoras podem se beneficiar da valorização do dólar em reais.
Perspectivas para a bolsa brasileira
Analistas alertam para a possibilidade de acionamento do circuit breaker na bolsa, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações quando o Ibovespa registra quedas acentuadas. O otimismo que havia impulsionado os ativos antes da eleição — com a bolsa acumulando quase 7% de alta e o real ganhando quase 5% frente ao dólar — foi revertido com a reeleição de Lula, gerando revisão de apostas e venda de ativos.
O governo enfrentará o desafio de conter o crescimento da dívida pública sem comprometer gastos sociais e investimentos, o que pode elevar a percepção de risco fiscal e pressionar juros e crédito.