O governo federal divulgou nesta quarta‑feira (28) que acompanha 45 casos de violência política registrados desde sábado (24) e que vai cobrar a punição dos responsáveis.

O ministro‑chefe da Secretaria‑Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que os episódios deixaram 10 mortos. Em coletiva no Ministério da Justiça, ele detalhou que os casos incluem atropelamentos intencionais, agressões físicas, disparos, atentados com armas de fogo, coação contra indígenas e abuso policial.

Estados com maior número de registros

Boulos apontou que Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Santa Catarina foram os estados com mais ocorrências no levantamento apresentado pelo governo.

Reação das autoridades

"Isso é inadmissível. As medidas que vamos anunciar aqui vêm de uma sociedade que não tolera violência política. Isso não cabe na democracia, não pode e não ficará impune", afirmou Boulos.

O governo anunciou que vai acompanhar a apuração dos episódios e cobrar a responsabilização dos envolvidos. A Polícia Federal ficará responsável pelos crimes de competência federal, enquanto os crimes comuns permanecerão sob a alçada das autoridades estaduais.

Medidas contra violência policial

Nos casos que envolvem suspeitas de violência policial, o Ministério da Justiça acionará as corregedorias das polícias estaduais e acompanhará as investigações administrativas, além de solicitar o afastamento dos policiais envolvidos.

Guilherme Boulos em entrevista na GloboNews nesta sexta-feira (17).
Guilherme Boulos em entrevista na GloboNews nesta sexta-feira (17). — Foto: Reprodução/GloboNews

Boulos manifestou solidariedade às famílias das vítimas, reiterando que dez pessoas foram mortas no Brasil por suas convicções políticas.

"Dez pessoas foram mortas no Brasil por suas convicções políticas. Isso não é normal. O que a gente espera é que isso acabe, esse clima de intolerância e violência política", afirmou.

Contexto das denúncias

A imprensa reuniu, na terça (27), denúncias de agressões, ataques com objetos, disparos e atropelamentos na reta final das eleições. A Polícia Federal abriu, por exemplo, inquérito sobre o ataque à vereadora Iara Pimentel (PT), em Montes Claros (MG), durante carreata de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Outro caso registrado em Três Pontas (MG) envolveu agressão a uma mulher que ostentava adesivo de Flávio Bolsonaro durante ato político.

O secretário‑executivo do Ministério da Justiça, Ademar Borges, informou que a pasta recebeu denúncias de crimes de ódio, intolerância e discriminação no ambiente digital, além de relatos de conflitos entre empregados e empregadores encaminhados ao Ministério Público Eleitoral.

Segurança de grupos vulneráveis

O governo destacou que a Força Nacional está atuando para garantir a segurança de grupos indígenas ameaçados em meio ao clima de violência política.