O governo de Minas Gerais informou, em coletiva nesta terça‑feira (20), que adotará medidas para mitigar os impactos do El Niño no estado. Entre as ações iniciais estão o reforço da estrutura da Defesa Civil nos municípios, a contratação de caminhões‑pipa para áreas com risco de desabastecimento e a instalação de ar‑condicionado em escolas e unidades de saúde.

Comitê de enfrentamento criado em 2026

Em setembro de 2026, o estado criou um comitê de enfrentamento às mudanças climáticas, reunindo secretarias e órgãos estaduais. O objetivo é concentrar informações e acelerar respostas aos impactos do fenômeno.

Previsões e riscos climáticos

Segundo o coronel Paulo Rezende, coordenador estadual da Defesa Civil, a maior preocupação são os extremos do clima.

"De um lado, a previsão é de seca mais severa, principalmente no Norte de Minas. Por outro, há risco de chuvas intensas, com possibilidade de enchentes e enxurradas em cidades cortadas por rios e córregos, como já ocorre em períodos chuvosos em municípios da Região Central e da Grande Belo Horizonte", informou.

Ações imediatas: água e calor

A Defesa Civil já iniciou a contratação de caminhões‑pipa para atender áreas vulneráveis à falta de água. O estado também avançará na instalação de ar‑condicionado em escolas e unidades de saúde para combater o calor intenso.

Ampliação da capacidade municipal

Dos 853 municípios mineiros, 823 já contam com ao menos uma Coordenadoria Municipal de Defesa Civil ou agente capacitado. O governo pretende fortalecer essas equipes, fornecendo logística, como viaturas, notebooks e treinamento em instrumentos digitais.

"Os próximos passos são além de ter equipe dedicada, é ter logística pra isso. Então também não adianta um agente da Defesa Civil que precisa se deslocar até uma comunidade, não ter recurso para isso. Então o nosso kit de Defesa Civil entrega, por exemplo, uma viatura, um notebook, treina instrumentos digitais mínimos pra ele poder exercer o seu trabalho", afirmou o coronel.

Ainda, 30 municípios carecem de estrutura mínima de resposta.

Necessidade de mais dados climáticos

O meteorologista Romero Wanzeler, do Cindec, destacou a necessidade de ampliar a coleta de dados climáticos. Embora Minas tenha boa cobertura de pluviômetros, faltam informações sobre temperatura, umidade e velocidade dos ventos, sobretudo no Triângulo Mineiro e Noroeste.

"A falta desses dados dificulta tanto a prevenção quanto a reação a eventos extremos", completou.

Orientação à população

Os representantes alertaram a população para seguir os alertas emitidos durante períodos críticos, evitando riscos desnecessários, como sair de casa em momentos de maior perigo.