Hackers invadiram a Binance usando uma falsa entrevista de emprego, resultando no desvio de US$ 6,3 bilhões. O ataque, considerado o maior roubo financeiro já registrado, expôs vulnerabilidades de engenharia social em processos seletivos corporativos.

Destaques:

  • roubo de US$ 6,3 bilhões (R$ 34 bilhões)
  • ataque iniciado por vaga de emprego falsa
  • investigação em curso; FBI aponta grupo ligado à Coreia do Norte

Como a fraude se iniciou

Em junho, um desenvolvedor da Binance baixou uma ferramenta de inteligência artificial adulterada após receber um convite para um teste técnico de uma vaga supostamente legítima. O arquivo continha malware que abriu uma conexão secreta entre o computador e os hackers.

"Os criminosos criam perfis falsos, principalmente no LinkedIn, se passando por recrutadores ou headhunters. Eles oferecem oportunidades de emprego, vagas exclusivas ou até a possibilidade de inclusão em bancos de talentos para futuras contratações", explicou Hiago Kim, presidente da Associação Brasileira de Segurança Cibernética.

Escalada do ataque

Em setembro, outro engenheiro, acreditando estar participando de um processo seletivo, baixou um repositório de código malicioso. O malware permitiu que os invasores controlassem o equipamento e, em 20 de outubro, utilizassem-no junto a uma ferramenta interna de IA para assumir o controle dos sistemas de duas equipes de desenvolvimento.

Nove dias depois, em 29 de outubro, os hackers transferiram os fundos, culminando no roubo bilionário.

Responsabilidade e monitoramento

Especialistas apontam que o excesso de privilégios concedido a funcionários críticos facilitou a operação. Segundo Luiz Fernando Plastino, especialista em Direito da Informática, o monitoramento corporativo deve ser transparente e alinhado à LGPD.

"qualquer medida de vigilância ou monitoramento precisa ser informada previamente e de forma clara aos empregados", alertou Plastino.

Implicações jurídicas

A responsabilização do funcionário depende da demonstração de negligência ou dolo. Juliana Mendonça, especialista em Direito do Trabalho, destaca que a culpa não é automática; fatores como treinamentos e políticas de segurança influenciam a decisão judicial.

O caso levanta dúvidas sobre até onde as empresas podem monitorar dispositivos corporativos e se podem cobrar prejuízos de empregados enganados por golpes sofisticados.