Beatriz Vitória Aparecida Neves Mota foi velada e enterrada na tarde desta sexta‑feira (23) no Cemitério Municipal de Jaboticatubas, na Grande BH. A Polícia Civil encontrou o corpo da jovem, desaparecida desde 9 de outubro, e investiga o caso como feminicídio premeditado.
Antes do sepultamento, amigos e parentes organizaram uma carreata pela cidade e prestaram as últimas homenagens. A irmã de Beatriz, Giovanna Neves de Castro, declarou à TV Globo:
"Essa carreata é não só um protesto, mas também para despedir dela direito, porque, no enterro, a gente não pode ficar nem 30 minutos lá, por causa do [estado do] corpo", afirmou Giovanna Neves de Castro.
Prisões e investigação
Na quinta‑feira (22), a Polícia Civil informou que Samuel Castro Melo, 18 anos, ex‑namorado da vítima, e Carla Luiza da Silva, 23, atual namorada dele, foram presos sob suspeita de envolvimento. As prisões foram convertidas em preventiva após audiência de custódia.
A instituição revelou que a cova onde o corpo foi enterrado já estava preparada antes da chegada da vítima e dos suspeitos. O cadáver foi localizado após o depoimento de uma adolescente de 15 anos, amiga do casal investigado.
Depoimento da adolescente
A adolescente, ouvida na presença do pai, temeu retaliações, mas colaborou e conduziu a polícia até o local da sepultura. Segundo seu relato, Carla enviou mensagem avisando que buscaria Beatriz em casa, e o casal a encontrou próximo a um bar para conversar. Samuel teria ligado para a vítima e pedido que ela fosse ao carro.
Beatriz sentou‑se no banco traseiro e, após cerca de 20 minutos de trajeto até a região conhecida como "Terra dos Portugueses", o casal discutiu com ela. Chegando a um lote vago, os suspeitos deixaram o veículo, foram ao matagal e, cerca de 30 minutos depois, retornaram sem Beatriz.
A adolescente continua como testemunha e não há indícios de sua participação no crime.
Circunstâncias do desaparecimento
De acordo com o boletim de ocorrência, na noite de 9 de outubro, Beatriz estava em um bar no bairro Bosque dos Coqueiros, por volta das 19h, quando um carro parou. Ela se aproximou da janela, avisou que voltaria em minutos e, antes de entrar, recebeu uma ligação que a deixou "bastante nervosa".
"Ela pediu cinco minutos para ir até a rua de baixo para encontrar alguém e disse que, se não voltasse, para irem atrás dela. Após ela não retornar, os amigos foram atrás dela e não souberam mais do paradeiro", relatou Giovanna Neves de Castro.
Beatriz voltou ao bar, relatou medo de estar com uma mulher desconhecida no carro e saiu novamente. Amigos ouviram insistência de pessoas dentro do veículo para que ela entrasse; o carro partiu e a jovem não foi mais vista.
Evidências e próximos passos
A polícia encontrou mãos amarradas com arame, um chinelo, a capinha de celular da vítima e um pacote de soda cáustica próximo à cova. Os celulares de todos os envolvidos foram apreendidos para perícia.
A causa da morte ainda será determinada pelo Instituto Médico Legal (IML). A investigação prossegue para esclarecer a motivação e confirmar a participação dos suspeitos.