A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nesta sexta‑feira (9) que os juros altos são o principal obstáculo para a indústria brasileira acessar crédito. A pesquisa Sondagem Especial 107 – Condições de Acesso ao Crédito em 2026 entrevistou 1.701 empresas de todo o país entre 3 e 12 de agosto.
"A queda dos juros leva um tempo para se refletir no custo do crédito, que ainda chega bastante elevado para as empresas", afirmou Maria Virgínia Colusso, analista de Políticas e Indústria da CNI.
Destaques:
- 76% das empresas apontam juros elevados como barreira no curto/médio prazo
- 69% citam juros como obstáculo no longo prazo
- Próximo passo: monitoramento da evolução das taxas em 2027
Juros como principal entrave
Nos financiamentos de curto e médio prazo, 76% das empresas citaram as taxas elevadas como barreira. No longo prazo, esse número foi de 69%. Embora ainda liderem o ranking, a incidência dos juros diminuiu em relação à pesquisa de 2025, quando eram citados por 80% e 71%, respectivamente.
Outras dificuldades apontadas
Depois dos juros, 33,4% das empresas apontaram exigências de garantias reais como principal entrave no curto e médio prazo, e 31,5% no longo prazo. A burocracia foi mencionada por 13,6% no curto/médio prazo, enquanto a carência insuficiente ficou em 18,9% no longo prazo.
Taxas de frustração no acesso ao crédito
Quase metade das empresas industriais (49,9%) não tentou contratar ou renovar crédito de curto ou médio prazo no período analisado. Apenas 22,9% conseguiram contratar ou renovar financiamento, e 7,5% tentaram sem sucesso. No longo prazo, 54% não buscaram financiamento; 15,5% obtiveram crédito e 9,2% falharam.
Considerando apenas as empresas que buscaram crédito, a taxa de frustração subiu em relação a 2025:
- Curto/médio prazo: 24,7% (vs 20% em 2025)
- Longo prazo: 37,2% (vs 33% em 2025)
Perfil das empresas e uso do crédito
As pequenas empresas tiveram os maiores índices de insucesso, com 48,2% das pequenas e 48,1% das médias não conseguindo crédito no longo prazo, contra 29,9% das grandes.
Entre as que buscaram crédito de longo prazo, 28,7% usaram para capital de giro, superando investimentos em máquinas (23,6%) e construção (11,6%). No curto e médio prazo, quase 60% apontaram capital de giro como finalidade principal.
Propostas para melhorar o acesso
A redução dos custos tributários e administrativos foi a principal medida sugerida pelos entrevistados, com 38,4% das respostas para curto/médio prazo e 31,2% para longo prazo. Outras sugestões incluíram:
- Ampliação das linhas públicas: 22,8% (curto/médio) e 26,3% (longo)
- Simplificação das exigências bancárias: 21,1% e 22,1%, respectivamente.