Lula respondeu a perguntas da TV Globo sobre a falta de reajuste do Bolsa Família, principal programa social do governo federal. Em entrevista nesta quinta‑feira (15), o presidente afirmou que desconhecia que o benefício estava quase quatro anos sem correção e classificou a situação como "inexplicável".

"Eu não quero que você ouça a reunião que eu tive com meus ministros quando eu fiquei sabendo que o Bolsa Família não tinha sido reajustado. Eu não sabia. É inexplicável que, no governo do Lula, alguém pense em não reajustar. É impensável. Mas aconteceu", afirmou.

Destaques:

  • Primeiro reajuste do Bolsa Família desde 2022
  • Decisão tomada após presidente tomar conhecimento da falta de correção
  • Anúncio feito 17 dias antes do primeiro turno das eleições

O governo divulgou que o benefício será reajustado a partir de 17 de setembro, data que coincide com a proximidade do pleito eleitoral. Até então, a proposta de Orçamento de 2027, enviada ao Congresso em 31 de agosto, não incluía recursos para a correção.

Lula declarou que também pretende compensar os anos em que o programa ficou sem reajuste. "Eu tomei a decisão: a gente vai dar, e vai dar tudo o que a gente não deu, para a gente aprender, nunca mais [fazer isso]", disse.

Quando questionado se o aumento foi motivado por espaço fiscal identificado pela equipe econômica, o presidente negou. "Aconteceu [a determinação do reajuste] porque eu fiquei sabendo que não tinha sido aumentado o Bolsa Família, e eu fui perguntar por que não aumentaram o Bolsa Família", explicou.

Em outra fala, Lula garantiu que há recursos disponíveis para financiar a medida. "Tomei a decisão de mandar dar o aumento do Bolsa Família, porque tem espaço fiscal", afirmou.

Reação do governo

A decisão foi comunicada ao Ministério da Cidadania, responsável pela gestão do programa, que deve definir os novos valores a serem pagos aos beneficiários. O ajuste deverá ser implementado antes do início do próximo mês, garantindo que as famílias recebam o benefício revisado antes das eleições.

Impacto nas famílias

Especialistas apontam que a falta de reajuste nos últimos anos reduziu o poder de compra dos beneficiários, sobretudo em regiões com alta inflação. O novo aumento pode aliviar a pressão sobre os orçamentos domésticos de milhões de brasileiros que dependem do programa.

Próximos passos

O governo deve publicar os detalhes do novo valor do benefício nos próximos dias. A medida será acompanhada de perto pelo Congresso, que ainda avaliará a sustentabilidade fiscal da correção em meio ao debate sobre outras prioridades de gasto público.