O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) respondeu a perguntas da jornalista Renata Lo Prete sobre a política de juros do Banco Central e o aumento da dívida pública. Em declaração à Globo, Lula ressaltou sua preocupação com o crescimento da dívida e defendeu que a solução passa por estimular a economia, não por cortar gastos que atinjam a população de baixa renda.

"Você acha que eu não estou preocupado? Eu estou preocupado. Eu criei uma família com cinco filhos. Eu sei o que é dívida", declarou.

Destaques:

  • Preocupação com o aumento da dívida pública
  • Defesa de crescimento econômico como solução
  • Rejeição de cortes que afetem os pobres

Lula critica ajustes fiscais que penalizam os pobres

Historicamente, segundo o presidente, tentativas de ajuste fiscal acabam prejudicando a população de baixa renda. Lula afirmou que, ao longo de seus 50 anos de experiência, sempre foi o povo pobre a pagar por medidas de contenção fiscal.

"O jeito de você resolver o problema fiscal é fazer a economia ficar crescendo", afirmou Lula. "Eu estou com 80 anos de idade, eu vivo isso há 50 anos, dessa briga: toda vez que alguém quer resolver o problema fiscal, o povo pobre paga. Toda vez, é o povo pobre. Eu não quero que o povo pague", disse.

Resultados dos primeiros mandatos como argumento

O presidente citou os resultados econômicos de seus primeiros mandatos para sustentar sua posição. Ele destacou que o crescimento econômico permitiu ao Brasil quitar a dívida com o Fundo Monetário Internacional (FMI), acumular reservas internacionais e melhorar sua posição entre as maiores economias do mundo.

"Porque o único jeito de você fazer o déficit, com relação à dívida, diminuir é crescer a economia, [e não] cortar [do] pobre", afirmou.

Divergências com economistas e proposta para futuro mandato

Questionado sobre críticas de economistas ao endividamento, Lula reconheceu a importância do controle das contas, mas manteve que a perda de controle orçamentário afeta os mais vulneráveis.

"Eu sei o que é dívida. Eu sei que, se a gente perdeu o controle do nosso orçamento, a coisa quebra e vai quebrar do lado mais fraco", declarou.

Ele afirmou ter divergências com especialistas e defendeu políticas de crédito e incentivo à microeconomia para fazer o dinheiro circular nas mãos do povo. Quando indagado sobre possíveis mudanças na condução da política econômica em um novo mandato, respondeu que não pretende cortar recursos dos mais pobres.

"Estou propondo não cortar dinheiro dos pobres".