Em 25 de outubro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente ao superar Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. O petista melhorou seu saldo de votos em 5.410 dos 5.570 municípios analisados, representando 97% do total, e obteve 51,79% dos votos válidos (64.256.232), contra 48,21% de seu adversário (59.826.041).

Virada de resultados

A virada ocorreu apesar de Lula ter ficado em segundo lugar no primeiro turno, com 45,16% dos votos válidos contra 47,03% de Flávio, diferença de cerca de 2,2 milhões de votos. No segundo turno, Flávio reduziu a desvantagem em apenas 160 municípios.

Distribuição geográfica

As maiores mudanças a favor do petista concentraram‑se no Sul e Sudeste, especialmente em São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, além do litoral nordestino do Rio Grande do Norte a Alagoas. Também houve avanço no Centro‑Oeste e em toda a Região Norte.

Os 160 municípios onde Flávio ganhou terreno ficam no interior da Bahia, no norte de Minas Gerais e em trechos do sertão de Pernambuco e Piauí, áreas onde Lula já tinha votação expressiva no primeiro turno.

Comparecimento nas urnas

O número de votantes aumentou em 4.858 municípios (87% dos analisados) e caiu em 705 (13%). A alta foi quase uniforme no Sul, Sudeste, Centro‑Oeste e no litoral nordestino, regiões que também registraram as maiores variações a favor de Lula.

As quedas de comparecimento concentraram‑se na Região Norte, especialmente no Acre, Amazonas, Roraima e Pará, além de uma faixa que atravessa o interior do Tocantins e Maranhão. Mesmo nessas áreas, o saldo do petista melhorou.

Contexto histórico

O primeiro turno registrou ausência recorde: mais de 33,4 milhões de eleitores deixaram de votar, representando 21,08% do eleitorado, o maior índice de abstenção em eleição presidencial desde 1998. O aumento de comparecimento no segundo turno contraria a tendência histórica de queda entre as duas fases, que costuma refletir insatisfação com os finalistas.