O presidente da Argentina, Javier Milei, ainda não havia reconhecido a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições brasileiras até a segunda‑feira, 26 de outubro. Enquanto líderes da região, inclusive de direita, enviaram mensagens de parabéns, o argentino manteve silêncio.
"Durante o evento, o argentino chamou Lula de "presidiário" e Moraes de "lixo careca".", relatou a cobertura.
Destaques:
- Milei foi o único presidente sul‑americano que não parabenizou Lula
- Líderes de Colômbia, Equador, Chile, Peru, Bolívia, Venezuela e Suriname enviaram felicitações
- O silêncio persiste em meio ao avanço da direita regional
Relações comerciais entre Brasil e Argentina
Brasil e Argentina mantêm uma das relações comerciais mais intensas da região, com forte integração industrial e papel central no Mercosul. Dados do governo argentino apontam que, em 2025, o Brasil foi o principal destino das exportações argentinas (US$ 12,8 bilhões) e sua maior origem de importações (US$ 18,4 bilhões).
Reações de outros chefes de Estado
- Abelardo de La Espriella, presidente da Colômbia, reconheceu o resultado e pediu cooperação bilateral.
- Daniel Noboa, presidente do Equador, destacou inimigos e desafios comuns na América Latina.
- José Antonio Kast, presidente do Chile, ligou para cumprimentar Lula e falou de futuro comum.
- Keiko Fujimori, presidente do Peru, defendeu o fortalecimento da aliança estratégica entre os dois países.
- Rodrigo Paz, presidente da Bolívia, ressaltou os laços históricos com o Brasil.
- Delcy Rodríguez, da Venezuela, e Jennifer Geerlings‑Simons, do Suriname, também enviaram felicitações.
Conflito entre Milei e Lula
Milei apoiou o senador Flávio Bolsonaro (PL) e, nas vésperas da votação, acusou Lula de “ladrão corrupto” nas redes sociais. Em entrevista à rádio argentina, afirmou que o Brasil liderou uma “campanha anti‑Argentina” durante a Copa do Mundo e que assessores brasileiros de Sergio Massa interferiram nas eleições de 2023.
"Eles tiveram um papel muito ativo na campanha de 2023. Ou vamos esquecer que os assessores de Massa eram um grupo de brasileiros? Eu quis ver o meu amigo Jair Bolsonaro e não me deixaram. Aqui, no entanto, o ex‑presidiário (Lula) veio cumprimentar a ré (ex‑presidente Cristina Kirchner)", disse.
Em entrevista à emissora LN+, Milei repetiu ofensas, chamando Lula de “ladrão”, “corrupto” e “não inocente”. Defendeu que suas palavras foram “espontâneas” e que “agressivo é quem rouba”.
Reação do Brasil
O Itamaraty convocou o embaixador argentino em Brasília e consultou o embaixador brasileiro em Buenos Aires, classificando o episódio como “sem precedentes”. O chanceler Mauro Vieira considerou o caso grave, mas descartou medidas drásticas como a retirada de representantes diplomáticos.
"Agressivo é que alguém roube. É muito mais leve chamar um ladrão de ladrão do que o próprio ato de roubar", afirmou Milei.
Lula inicialmente evitou comentar, respondendo “Quem é esse cara?”. Dias depois, classificou a postura de Milei como “patacoada” e afirmou que não aceitará interferências externas na política brasileira.
"Eu não falei nada, porque a minha relação é uma relação de chefe de Estado com o Estado. (...) Eu gosto do povo argentino e não vou ficar trocando coisa com aquela coisa.", declarou Lula.